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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Lembranças coritibanas. Uma breve história do nosso estádio.

Lembranças coritibanas. Uma breve história do nosso estádio.
O Couto Pereira foi inaugurado, com o nome de Belfort Duarte, em 12 de outubro de 1932, após o clube ter passado por dois locais, o Jockey Clube e o Parque da Graciosa.

Para a construção do estádio o Coritiba devolveu à família Iwersen o terreno do Parque da Graciosa, recebendo indenização de 13.000 contos de réis pelas benfeitorias erguidas no local. Com esse dinheiro e com mais 120.000 contos de réis obtidos de empréstimo junto à Caixa Econômica Federal, foi comprado o terreno onde está o estádio e iniciada a construção, que resultou em um estádio com arquibancadas de madeira.

A inauguração aconteceu em jogo contra o América-RJ, ocasião em que a bola foi lançada ao campo por um avião. Vencemos por 4 x 2.

Em 1942 o Coritiba inaugurou a primeira iluminação de um estádio de futebol do Paraná, jogando contra o Avaí-SC, concidentemente, tal como na inauguração, vencemos por 4 x 2.

Em 1956, com Arion Cornelsen assumindo a direção do clube, tratou ele de reformar completamente o estádio, com recursos obtidos através do “Bolão Esportivo”, percussor da loteria esportiva e que fez grande sucesso na cidade. As obras iniciaram em 1956 com a primeira etapa se constituindo nas arquibancadas de cimento (hoje denominadas de “inferiores”), inauguradas em 12 de outubro de 1958.

As obras prosseguiram até 1963, quando Arion deixou a direção do clube, mas foram retomada na gestão de Evangelino Neves, com aquele colaborando e a empresa de Edson Mauad se encarregando da construção. Nesse período, os recursos foram arrecadados com promoções de sorteios de carros – eu mesmo vendi muitos carnês no meu local de trabalho – da venda de cadeiras perpétuas e até do resultado da venda do craque Dirceu ao Botafogo em 1972.

O estádio, como hoje está, foi concluído em 2014 com a construção do setor Pro-Tork, através de recursos obtidos por empréstimo da empresa do mesmo nome.

Como se vê desta rápida e incompleta história, construímos o nosso estádio com esforços próprios, sem depender do poder público. Aliás, quando quisemos algo, buscamos o terreno onde hoje está a igreja do Perpétuo Socorro, onde se previa a construção do estacionamento, o então prefeito Ney Braga vetou e doou o imóvel para a arquidiocese.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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