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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Maldito título estadual e outros malditos.


Assim como todos os torcedores, me entusiasmei com o time quando conquistou o título estadual. Nem tanto pelo campeonato, mas especialmente pela vitória de 3 x 0 na final contra o rival.

Logo em seguida, depois das três vitórias iniciais no campeonato brasileiro, vi o Muricy Ramalho dizendo que até então o melhor time que ele tinha visto era o Coritiba.

Acreditei – ou quis acreditar, Freud explicaria – que tínhamos um bom time.

Maldita conquista e maldito Muricy. Nos iludimos, assim como de modo irresponsável a direção e comissão técnica, e o resultado está aí, série B à vista, ali do nosso lado, com perspectivas de escapar somente se milagres acontecerem.

Contamos com um elenco em parte constituído por descompromissados, que “não estão nem aí”, casos típicos do Alecsandro e Anderson, por pretensos jogadores que não teriam lugar nem em times da terceira divisão, exemplos o Luizão e o Filigrana, além de outros que nunca entendemos a razão de integrarem o elenco, tal como o tal do alemão negociado com o Lincoln (logo com quem) e do Keirrisson (parece que em troca de dívida, o que é patético). A lista toda ocuparia por demais o meu espaço. Nenhum dos nossos novos “pangarés” veio por vontade própria, é claro, alguém os “descobriu”.

E contamos com uma direção inapta, despreparada e com visões equivocadas sobre o futebol. O presidente não entende do “métier”, isso ficou claro desde o início do mandato, o que talvez fosse suprido se ele soubesse trazer para o clube quem efetivamente conhece futebol, mas não, quem teve a tarefa delegada – direção e gerência - realizou contratações equivocadas. A direção inicial se esfarelou, em parte de modo saudável com a saída dos denominados “surfistas”, mas em parte de modo a que ninguém quer ter a responsabilidade pelo fracasso. Na medida em que o time afunda, raros agora têm coragem de aparecer nos meios de comunicação, nem mesmo para falar sobre o cada vez mais distante e irrealizável novo estádio, o que dirá sobre o time.

Ontem mais um prego foi colocado no nosso caixão. O time até que jogou pelo menos dentro do que pode, mas lhe falta qualificação técnica e espírito. Sem contar falhas do comando técnico cuja atuação ficou marcada pela incoerência de afastar o Anderson da equipe por negligente e depois tentar usá-lo mediante substituição equivocada.

Namoramos há tanto tempo a série B e parece que agora vamos casar com ela. E depois, quem assumirá a tarefa de nos reerguer? Haverá alguém que repita a atitude do Vilson Ribeiro de Andrade em 2009? As eleições se aproximam, aguardemos que as chapas não sejam mais do mesmo e que um grupo minimamente confiável apareça, não para reconstruir o Coritiba, mas sim para refundar o clube.


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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