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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Medo não ganha jogo.



Finalmente uma boa partida do Coritiba, mais do que boa, excelente. Arrisco-me a dizer que pode ter sido a melhor apresentação desde que o grupo que está no comando do clube assumiu.

A vitória foi consequência natural de alguns aspectos.

Primeiro, a escalação que privilegiou uma meia cancha não defensiva, na qual se destacou, com sobras, o Giovani Augusto.

Depois, a noite iluminada do Robson, secundado por uma boa apresentação do Yan Sasse (quem diria), do Galdezani e da zaga segura, com o jovem Henrique parecendo um veterano tamanha a frieza e consciência com que jogou.

O jovem Rodrigo Muniz soube se movimentar, abrindo espaços para as entradas dos companheiros que atacavam, assim como foi muito positiva a atuação do Neílton, decisivo na jogada do terceiro gol.

E outro fator importante, no meu sentir, foram as ausências do Rodolfo Filemon e do Mateus Sales. O primeiro porque substituído com sobras pelo Henrique Vermudt, que não nos deu os sustos que o Filemon costuma dar. E quanto ao segundo, há alguns jogos venho observando que ele torna lento o ritmo da equipe. Recebe a bola no meio do campo, para, olha, dá uma volta em si mesmo, às vezes pisa nela e acaba passando no mais das vezes para o lado. Enquanto isso a defesa adversária se fecha e é natural que não haja ninguém para receber a bola em jogada propositiva para o ataque.

Claro que Jorginho, para ser o Jorginho, não se conteve e colocou em campo o seu afilhado Gabriel, que destoou completamente dos demais. Aliás, também não gostei do paraguaio Martinez, mas como jogou por pouco tempo ainda deverá ter oportunidade de mostrar se está à altura do time que queremos.

É de se esperar que o Jorginho tenha se conscientizado de que quem joga com medo muito raramente vence e mantenha a formação da equipe que jogou ontem, ou, pelo menos o modo de jogar.

Houve quem dissesse que a nossa vitória foi facilitada pela má jornada do Palmeiras. Sem dúvida o adversário não estava nos seus melhores dias, mas considerando o que o Coritiba vinha jogando e o que apresentou, não dá para querer justificar o resultado na alegação de má atuação do oponente. Se o Coritiba não jogasse bem talvez tivéssemos um jogo de baixo nível técnico onde um lance do acaso poderia decidir, e não a indiscutível imposição tática e técnica do nosso time.

Ainda é cedo para ter confiança segura de que vamos melhorar na tabela, mas hoje o caminho foi aberto e se souber ser trilhado acho que temos chance de terminar o campeonato em uma classificação honrosa.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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