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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Muita calma nessa hora.

Muita calma nessa hora.
Conseguimos a classificação para a semifinal do campeonato estadual, ainda que “na bacia das almas” como se dizia antigamente. Foi bom, sempre é positivo, e melhor ainda quando vemos que o rival não conseguiu o mesmo resultado.

Mas vamos com calma, sem muito entusiasmo, pois as apresentações e perspectivas do time não permitem ainda esperar muito. Segundo tudo que ouvi e li, inclusive dos comentários dos leitores (os amigos sabem que como o Coritiba não contratou o PFC não posso ver os jogos), o time mais uma vez não convenceu e, pior, continua com deficiente preparo físico, fato que já apontei aqui há algum tempo e por mais de uma vez.

Nos últimos anos foram constantes os jogos em que muito antes de terminar vários jogadores nossos se mostravam “entregues” e muitas vezes o esforço muscular levava a lesões aparentemente inexplicáveis. Sei que sou apenas um curioso e que o simpático preparador físico do Coritiba, filho de conhecido comentarista esportivo, tem larga bagagem no futebol – esteve sete anos no Goiás - e não posso ir além das minhas chinelas para contestar o seu trabalho. Mas, na minha visão de leigo e vivido no futebol, parece-me que o alguma coisa não vem dando certo. Se assim aconteceu em um ano e vem se repetindo em outros, há um provérbio chinês que talvez se aplique: Cavalo ganhou uma vez, sorte; cavalo ganhou duas vezes, coincidência; cavalo ganhou três vezes, aposte nele! Em outras palavras, nem tudo é acaso, nem tudo é sorte ou azar, sempre há uma causa.

Mas, voltando às expectativas, pelos comentários aqui no site e em redes sociais vejo que a expressiva maioria da torcida do Coritiba está consciente e bem realista, sabendo que não dá para se entusiasmar e muito ainda tem que ser feito. Realista, em que pese alguns confundam, não é ser pessimista. Realistas são os que conhecem bem o futebol e o vivem há muito tempo e sabem que dois ou três bons resultados só animam se com apresentações convincentes, o que ainda não ocorreu. No momento do Coritiba ser realista é o único modo de pensar lúcido. Ser otimista é impossível.

Isso não significa que não tenhamos esperança, afinal é dela que vivemos há muitos anos. Mas o time, especialmente o clube por sua direção, tem que nos dar alimento para cultivar o sentimento de modo a não ver tudo ruir no final como vem sendo nos últimos anos.


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Como os tempos atuais não nos dão alegrias, de vez em quando vou trazer reminiscências do tempos em que o Coritiba era efetivamente glorioso.

Em 1947, ano em que nasci, o Coritiba foi campeão nas quatro modalidades que eram disputadas naquela época (não havia torneios nacionais e nem interestaduais), profissional, aspirante, amador e juvenil. Era comum os jogos das demais categorias serem disputados em preliminares do jogo principal, e assim continuou a acontecer por muitos anos.
O time base tinha Nivaldo, Fedato e Renê; Tonico, Cartola e Lanzoni; Baby, Merlin, César Frizzo, Gouveia e Paulinho (foto acima).



Lamento muito o afastamento do confrade Sérgio Brandão. O Coxanautas fica com uma grande lacuna. Espero que seja temporário e que logo volte a nos brindar com os seus textos.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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