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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

O alienígena e a pesquisa.



Apesar da vitória, a apresentação do Coritiba na noite de ontem contra o Criciúma foi de desanimar o mais ferrenho e apaixonado torcedor.

Vencemos, foram três pontos importantes sem dúvida, mas a vitória veio mais pelo acaso que às vezes rege o futebol do que por merecimento.

Chutamos apenas três bolas contra o gol do adversário durante todo o jogo, duas com muita eficiência de modo a resultar em gols, mas em contrapartida o adversário comandou quase todo o jogo e teve inúmeras chances de gols, só não consumadas pela atuação do Wilson, o que já está se tornando rotina e escancara a má qualidade do restante do time.

Um alienígena que aportasse no Couto Pereira ontem, e que tivesse algum conhecimento de futebol, mas nada soubesse sobre as equipes em campo, certamente teria concluído que o time amarelo é que seria o dono da casa e o clube com história – remota – de glórias, enquanto o outro, o de verde e branco, seria um clube/time de menor expressão, que obteve um bom resultado mais pela ajuda do destino do que por merecimento.

A apresentação de ontem foi preocupante, para não dizer assustadora. Afora o Wilson e o surpreendente Vinícius Kiss – além do mérito dos dois goleadores, que não fossem os gols estariam no mesmo balaio – o que se viu em campo foi um grupo de jogadores muito fracos, inábeis, e sem sintonia ou jogadas que se pudessem dizer como pelo menos treinadas.

A nossa zaga é muito fraca, o primeiro gol do Criciúma mostrou que nem mesmo se colocar sabe, tamanha a liberdade com que o atacante adversário recebeu e dominou a bola (quem não viu procure os melhores lances na internet e no momento do gol congele a imagem para constatar que entre os dois zagueiro nossos e o adversário havia um espaço de pelo menos dois metros).

A meia cancha não cria e marca mal, e o ataque praticamente não existe. Bruno Moraes foi apenas um espectador privilegiado que pôde acompanhar o jogo de dentro de campo e nada mais. No único lance em que poderia receber a bola em condições de chutar em gol, preferiu se abaixar e deixar que ela chegasse a um companheiro que não tinha o melhor ângulo para chutar.

E não se diga que ontem foi uma jornada infeliz isolada. Não, contra o Sampaio Correa estivemos abaixo da crítica, sem criar nenhuma chance de gol e escapando de sofrer um placar maior, enquanto que contra o Atlético-GO conquistamos a vitória a muito custo, em que pese o adversário, com boa parte do jogo com dez em campo, tivesse criado e pedido inúmeras oportunidades de gol.

Pois bem, indo dormir ontem com a sensação de desânimo e preocupação com o futuro do Coritiba, hoje pela manhã recebo email do clube – dirigido a todos os associados – pedindo que avaliasse cada jogador individualmente pela apresentação de ontem. Porém, e isso é sinal de que a direção não está bem situada da fraqueza do elenco, a nota mínima aceitável pela pesquisa teria que ser cinco (5)! Isso é um bom retrato da fantasia e com que vivem os dirigentes. O que mais dizer?


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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