O aniversário do Couto Pereira e o presente que recebemos.
Como em todos os aniversários deveríamos ter recebido, além de cumprimentos, algum presente, e esse veio no anúncio a Treecorp de que reformará e modernizará o estádio, alterando a capacidade atual de 40.502 pessoas, para 30.000 frequentadores.
Justificam os novos donos do clube que a diminuição da capacidade decorreria do “efeito escassez”, segundo o qual – aqui da planície e como simples mortal não entendi bem - a diminuição da capacidade traria mais valor ao empreendimento, o que indica também que a frequência aos jogos custará mais caro do que atualmente.
Interessante notar que, afora a coincidência com a data do aniversário do estádio, o anúncio foi feito quando estamos com 99,9% de chances de rebaixamento, isso para quem ainda acredita no 0,01%. Esse proceder não é novidade para a torcida coxa-branca, que várias vezes recebeu, em momentos de crise, maquetes de reforma do estádio, como se nos dessem um doce para parar de chorar. A propósito, um parêntese: a proposta de novo estádio, modernizado e com capacidade para 40.000 pessoas, apresentada na gestão 2015/2017, pelo então vice-presidente Alceni Guerra, parece-me que foi uma das poucas, senão a única, que pôde ser levada a sério, mas não se concretizou.Veja aqui
A torcida, pelo que se viu nas redes sociais e em comentários aqui no nosso Coxanautas, não recebeu bem a notícia de agora, certamente por escaldada que está com movimentos anteriores, embora desta vez parece que realmente a reforma virá.
As imagens oferecidas pela Treecorp mostram um estádio bonito e moderno, o que é bom, mas há um ponto questionável, qual seja a redução da capacidade de público, o que indica que a dona do clube não acredita que poderemos ter voos maiores. Na final do campeonato paranaense de 2017 o público pagante foi de 32.869 (computados os não pagantes não é exagero dizer que havia 35.000 pessoas no estádio). Qual seria o público se em uma disputa maior – nacional ou até internacional, quem sabe - o clube estiver em momento decisivo em algum jogo? Certamente maior como prova o exemplo de 2017, mas então o estádio não comportará. E se um dia – sonhar não é proibido – o Coritiba disputar a Copa Libertadores da América e a Conmebol mais uma vez alterar o regulamento da competição exigindo estádio com capacidade mínima de 40.000 pessoas como já fez anteriormente? Iremos jogar no estádio do rival?
Enfim, se gostei da modernização do estádio, não tive o mesmo sentimento ao saber que a capacidade será reduzida em pelo menos um quarto da atual. Mas acho que estou pregando no deserto, pois ao que vimos – ou não vimos – até agora, a Treecorp não se importa com o que pensa o torcedor, valendo a minha opinião mais como um desabafo.
Não esqueci que hoje o Coritiba joga contra o Fluminense no Rio de Janeiro, mas está repetitivo e cansativo falar sobre o time atual e a expectativa de nova queda sendo melhor calar.
* Texto editado.
Logo que publicada esta coluna, recebi mensagem do ex-presidente Vilson Ribeiro de Andrade, atualmente o representante da administração do clube junto à SAF cujos dados transcrevo:
Importante saber deles do laudo atual do Couto:
1. Corpo de Bombeiros 38 mil
2. Considerando bolsão de torcida visitante, redução para 35 mil ( bombeiros e PM e DEMAT)
3. Estudo para encadeirar o estádio atual :
Carga máxima 35 mil
Bolsão para torcida organizada, capacidade máxima 30 mil.
Esses dados são importantes, fundamentais mesmo, mas também confirmam o que eu disse sobre a Treecorp não dar todas informações aos torcedores. Se houvesse noticiado esses fatos a narrativa seria mais palatável.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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