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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

O meu amigo e o pajé.



Já estou cansado de analisar o time do Coritiba, com elenco deficiente (jogador que não sabe cobrar lateral) e treinador fraco (o que se pode ver na lambança que fez nas substituições ontem) a esperança a cada dia se dissipa.

Por isso hoje resolvi contar uma história que vivenciei.

Eu tinha um fraterno amigo, homem bem-sucedido na vida, empresário do ramo de arroz, com atuação em vários segmentos da sociedade, tais como o Rotary Clube, a direção de um Grupo de Escoteiros e a igreja que frequentava. Tinha uma dedicada esposa e três filhos, constituindo uma família harmoniosa e feliz.

Mas não e que um dia um tumor maligno foi detectado no meu amigo, classificado pelos médicos como muito grave. Ele fez todos os tratamentos existentes, gastou quase todas as suas reservas com médicos e hospitais, até que um dia foi dado como desenganado.

Deprimido, sabendo que logo iria morrer, ouviu de um amigo notícias maravilhosas sobre um pajé, um índio que vivia no interior do Estado e a quem era atribuído o dom de invocar e controlar espíritos, com poderes curativos.

Pois o meu amigo, desesperado, deslocou-se para o grotão onde vivia o tal índio, lá se submetendo aos rituais. Deu ao pajé uma “contribuição” financeira e voltou para a capital animado. Qual o quê, em poucos dias os prognósticos médicos se confirmaram e o meu estimado amigo veio a falecer.

Mas o que está fazendo essa história em um site dedicado ao futebol, em especial o Coritiba?

É que ela me veio à lembrança ao saber que o Coritiba contratou uma consultora de feng shui que, através da mudança e cores e locais de objetos no estádio, levaria o clube a retomar a sua senda de sucessos.

Muito difícil para mim aceitar e entender a iniciativa que reputo desespero e irracional, embora respeite sempre todas as crenças. Talvez alguns jogadores, pessoas simples que são em sua maioria, possam se impressionar e se motivar, mas acho impossível que seja essa a solução para os nossos constantes fracassos.

Como diz o ditado popular, para quem está se afogando jacaré é tronco.


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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