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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Otimismo? Em uma hora dessas?

Quando nada parece ser possível de piorar no Coritiba, mais afundamos e sofremos com os seus infortúnios. Não digo que sofremos decepções, é pior, pois de onde nada se espera daí é que nada vem.

Não foi preciso assistir aos dois primeiros jogos, bastando ver aos ditos “melhores” momentos de cada um e ler e ouvir tudo o que se disse a respeito, para concluir que se o time do ano passado era muito ruim, o atual caminha para ser pior.

Beneficiados pela tabela que nos contemplou com os dois primeiros jogos em casa, contra adversários inexpressivos, o que vimos está mostrando de que o time atual do Coritiba não é nada melhor do que qualquer outro do interior do Paraná. Tremo ao pensar o que o grupo que jogou ontem poderá fazer quando enfrentarmos os rivais da capital e o Londrina.

Elegemos uma nova diretoria que prometeu antes de tudo saneamento das despesas do clube, que de modo irresponsável são aumentadas a cada gestão, mas parece que os novos dirigentes se esqueceram de uma lição básica na administração de clubes de futebol: sem bons resultados não há público nos jogos, não há novos associados (quando não diminuem), não se vendem produtos do clube, não se conquistam patrocínios e nem mesmo se consegue um bom contrato com a televisão como ocorreu para o campeonato estadual. Assim, nunca equilibrarão as receitas.

A nova diretoria anunciou que priorizaria as categorias de base, mas o que vemos, ainda que sabendo que os jovens devem estrear aos poucos, é o aproveitamento mínimo das ditas promessas em detrimento de certezas de fracassados como são os casos de João Paulo – o jogador símbolo da pequenez do Coritiba desde 2015 – o devolvido Ruy e o inoperante Alecsandro.

Não sabemos ainda se os jovens da base podem todos dar conta do recado, mas se não jogarem nunca saberemos! E o momento para isso é o campeonato estadual, cuja conquista é importante, mas não vital. Fundamental para nós é o retorno para a série A, o que já está se anunciando muito difícil diante do quadro que se esboça.

Qual a razão para usar no time, ao mesmo tempo, quase quarentões que comprovadamente nada mais jogam e não dar oportunidade a alguns jovens que, mesmo que não na totalidade, poderão mostrar algo? Se o fracasso com o time que está sendo usado é certo, vamos tentar o acerto com mudanças. Pior do que está não ficará, não tenho dúvida.

Uma palavra final para a dependência que o time parece ter do Kléber. Ontem ele fez o gol do empate, e muitos gols já fez no Coritiba. Mas não podemos esquecer que ele concorreu muito para o rebaixamento do ano passado ao ficar quase a metade do campeonato sem jogar por força de seu comportamento. Times não podem ser dependentes de um ou dois jogadores, nem o Santos do Pelé era assim. E nós nos últimos anos computamos fracassos exatamente em momentos em que ficamos dependentes de uma estrela, como foram os casos do Marcelinho Paraíba e do Alex, e agora do Kléber. Temos que formar um time, cuja definição, segundo os dicionários, é um grupo de pessoas empenhadas em uma mesma atividade conjunta.

Então amigos, não me peçam para não ser precipitado, para aguardar e para ser otimista. Enquanto os fatos não justificarem, muito mais do que pessimista serei realista. Os rumos do atual Coritiba até agora são muito preocupantes.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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