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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Passaporte para o inferno.



Hoje não vou cansar os amigos e nem me desgastar na depressão que o Coritiba me causa, e serei breve. Discorrer sobre o jogo de ontem seria repetir o que tantas vezes eu e tantos dissemos.

Ontem o Coritiba conseguiu tirar - ou renovar - o seu passaporte para a segunda divisão. Se não consegue vencer em casa um time mediano como o do Bahia, nem mesmo saindo à frente do placar, o que poderá mostrar nos jogos que faltam no caminho para o inferno da segunda divisão, desta vez com consequências terríveis em considerando o que tivemos nos últimos quatro anos?

Só falta o visto de entrada no inferno, que parece a nossa direção mira com insistência quando aceita, sem interferir que, por exemplo, supostos jogadores como Filemon permaneçam no time.

Na “Divina Comédia” Dante Alighieri afirmou que na entrada do inferno havia um aviso: “Ó vós, que entrais, abandonai todas as esperanças”. Ainda não passamos a entrada, mas nos aproximamos com muita “vontade” dela. Se dela passarmos, a próxima direção que assumir o nosso clube terá uma tarefa ingrata e inglória, pois além do amargor da segunda divisão encontrará um clube endividado, sujeito às consequências do ato trabalhista caso não cumprido e outras.

Como dizia Nelson Rodrigues, o negócio é sentar no meio-fio e chorar.

PS. Perdoem o amargor, mas é como me sinto.


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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