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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Revolta.


Acompanhei o atletiba pelo rádio, único meio que restou para quem não mora em Curitiba, e ao mesmo tempo fiquei acessando as manifestações dos torcedores aqui no Coxanautas, lançadas na medida em que o jogo se desenvolvia.

Os torcedores se mostraram revoltados, não só com a apresentação de um time fraquíssimo, que se rendeu aos reservas do rival, mas especialmente e com destaque para a inércia da nova diretoria na composição da equipe, direcionando as queixas e os ataques ao Presidente Samir.

Pode-se dizer que situações como a que o Coritiba vem vivendo nos últimos anos não devem ser debitadas a um único nome, afinal a direção eleita é um colegiado e todos seriam responsáveis. É assim e não é bem assim.

O presidente do clube – ou de qualquer entidade – deve ser o líder e obviamente o comandante. Já tivemos presidentes com personalidade forte e concentradores do poder e outros que delegaram até demais e pareciam conformados com a decadência do Coritiba, sempre colocando a culpa dos seus fracassos nos que os antecederam. Nem um extremo e nem outro é aconselhável, mas se os torcedores fizerem uma retrospectiva constatarão que os concentradores de poder e de personalidade forte tiveram bem mais sucesso pois tiveram coragem.

Não sei se o Samir é concentrador ou gosta de delegar, até agora ele não parece ser nem uma coisa e nem outra, pois aparece muito pouco e não sabemos com clareza como está administrando o clube e o que pensa. Sei, pode-se dizer que é cedo para que o seu trabalho se reflita, mas a dinâmica do futebol não permite que se aceite um desempenho tão fraco do time em um campeonato quase amador. Poderíamos ter paciência com o começo da gestão se, ainda que com desempenho fraco da equipe, fosse visto um crescimento paulatino. Infelizmente não está sendo assim, não vemos crescimento e a equipe não tem potencial para que se tenha esperança de que ali adiante melhorará.

Compor a equipe com atletas que foram devolvidos por clubes de menor expressão futebolística – casos de Ruy, Parede e Thiago Lopes – manter figurantes como João Paulo e Alecsandro (quem explica o contrato leonino que o favorece?) e contratar supostos jogadores como é o caso do Benitez, não anima ninguém a esperar muito.

Ainda há tempo, ainda estamos no começo do ano, mas muito – muito mesmo – deve ser feito para que sonhemos em voltar à primeira divisão do futebol. Ficar reclamando das dificuldades financeiras, como se delas não soubesse quando da candidatura, e tentar administrar sem investir é pensar pequeno.

A questão é que pouco mais de um terço dos associados (especialmente através da IAV) elegeram a diretoria para uma gestão de três anos, e então é com ela que vamos e dela temos que cobrar de modo incessante, civilizado e na esperança de que ela se encontre. Esperar até 2021 para que outra direção refunde ou retome o velho Coritiba é impossível. É muito tempo e os insucessos podem se acumular de modo que lá adiante não haja o que fazer.

Redigi a coluna acompanhando o pós-jogo pelo rádio aguardando que o presidente Samir ou alguém por ele viesse trazer alguma mensagem aos torcedores. Em vão, às 20 horas desisti. Se depois de uma derrota em atletiba nenhum dirigente vem dar satisfações e tentar dar esperança para a torcida, deve ser porque nada há para nos animar.













Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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