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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Seja bem-vindo, Zago.



Depois da esperada demissão do sedizente técnico António Oliveira, em vinte e quatro horas o Coritiba anunciou o novo treinador, Antônio Carlos Zago, o nome que aparecia com mais intensidade nas especulações entre cronistas e torcedores.

Foram atitudes adequadas da direção tanto a demissão – embora um tanto tardia – como a contratação.

Trata-se de um treinador com um invejável currículo como jogador, campeão que foi pelo São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Santos e outros. Como treinador o seu currículo é mediano, com passagens pelo Internacional e Bragantino, dentre outros.

Mas em que pese o histórico como treinador não seja tão expressivo, penso que foi uma contratação na medida para o Coritiba, que não pode mais gastar inutilmente como fez com o malsinado português e com alguns jogadores que não podem ter lugar em time de primeira divisão.

O Zago conhece as chamadas “quatro linhas”, tendo jogado em clubes de grande expressão e até na seleção brasileira. Há quem diga que é uma aposta, mas me parece que é tentativa desta vez fundamentada e à altura das necessidades e possibilidades do nosso clube. Não se pode dizer que se trata de um risco e sim de uma boa contratação dentre os nomes disponíveis e na medida para as nossas finanças.

Claro que, exigentes como somos (para não dizer que às vezes somos chatos), ficaremos atentos aos resultados que obtiver, mas temos que ser conscientes e tolerantes pois não será da noite para o dia que fará o time jogar bem e vencer.

Terá que desde logo tentar consertar a zaga, e deve saber como, zagueiro de sucesso que foi por muito tempo. Também convém que não seja arrogante e teimoso como o não saudoso treinador que saiu, e veja que o esquema do time não pode ser o já manjado 4 x 3 x 3, pois o elenco tem limitações.

Se entrar afastando da titularidade jogadores como o Potker e o Robson, já mostrará que terá o comando da equipe. Convém testar outro zagueiro para parceiro do Kuscevic, talvez o jovem da base que integrou a seleção sub-20, ou o Vilar, vindo do Maringá (não tenho opinião formada sobre a sua qualificação, mas qualquer tentativa será válida).

Enfim, logo terá que dar ao time o que se chama de “padrão de jogo”, com variações táticas reais mas mínimas, pois alcançando o fundamental na atuação da equipe já será um ganho.

Seja bem-vindo, Zago. A nossa torcida é exigente, muito porque nos últimos anos coleciona sucessivos fracassos. Mas se posso falar por parte dela, asseguro que teremos paciência por algum tempo, na esperança de que o nosso clube voltara a ter lugar de destaque em todas as competições que disputa.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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