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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Teatro. Um ator canastrão.

Ontem mais um vexame dentre os tantos que o Coritiba apresenta para a sua sofrida e cada vez menos animada torcida. Dizer o quê diante de uma derrota para um time que havia nove meses que não vencia um jogo, que ocupa o último lugar no campeonato mineiro e que está na série D das competições nacionais?

Pois hoje não vou analisar a atuação dos jogadores, pois me parece que o furo é muito mais embaixo e há tempo está claro.

Eu não estou dentre aqueles que quando o time vai mal sistematicamente elegem o treinador como primeiro responsável. Quem me segue já leu crônicas nas quais afirmei que diante de um elenco fraquíssimo é muito difícil que técnicos tenham pleno sucesso.

Mas mesmo com um elenco mediano ou fraco, um bom técnico sabe extrair algo de positivo, de modo a que a equipe faça uma campanha pelo menos razoável. Agora, com um elenco fraco e um treinador tanto ou mais, certamente aí não se vai a lugar nenhum. O plantel do Coritiba deste ano é um pouco – talvez um pouquinho- melhor do que o do ano passado e um treinador razoável saberia tirar proveito disso.

Se a contratação do Argel foi um erro, a sua manutenção, mesmo com o fracasso gritante que apresentou no ano passado, foi um erro duplo, talvez gerado pela teimosia decorrente da soberba com que age a atual direção.

Argel é um perdedor, pesquisem na internet a sua carreira como treinador, vinte e três clubes em dez anos, só um deles da primeira linha do futebol brasileiro, o Internacional, para cuja queda para a segunda divisão, pela primeira vez em sua vitoriosa história, ele concorreu de modo significativo.

E ele nos toma por ingênuos, dando entrevistas nas quais parece que o Coritiba está no caminho certo, que um detalhe não permitiu uma vitória, que o time está em formação, enfim, age tal e qual um bom marqueteiro vendedor de ilusões.

Ah, dizem alguns patrulheiros inseridos nas redes sociais e que estão fiscalizando quem critica o atual Coritiba, o Argel quer as vitórias, vejam como ele fica possesso à beira do gramado, gritando o tempo todo com o time e os árbitros.

Quanta tolice. Primeiro porque esse tipo de atitude é a maior prova da incapacidade do treinador. Alguém já viu um técnico vitorioso agir assim? Alguns são veementes, mas jamais beirando a apoplexia como o nosso suposto treinador. Depois porque, em se tratando de um time que está tentando aproveitar meninos, ver estes submetidos a um “professor” com esse temperamento é conduta não deve ser nada estimulante, pelo contrário.

Mas a verdade amigo leitor, é que tudo indica que essa atitude nada mais é do que um teatro do parlapatão, um ator canastrão, visando impressionar incautos. Esse comportamento é muito usual em políticos demagogos e populistas, que enganam a muitos por muito tempo, mas não permanentemente.

Enfim, continuamos geridos por uma direção cujos membros, na maioria, parecem ausentes, enquanto o presidente não tem carisma e nem características de líder, afundando-nos a cada dia, e o time comandado (?) por um bazofiador cuja história jamais poderia tê-lo recomendado para um clube que pretende um dia voltar a ser grande.

Tempos sombrios no presente e à vista do futuro

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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