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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Um erro corrigido.



Finalmente a direção do Coritiba se convenceu do que já alertávamos aqui há algum tempo. O furo do casco do nosso navio era o “head” desportivo, Lucas Drubscky, que desde o final do ano passado vinha gerenciando as contratações de jogadores.

Não é preciso subjetividade para mostrar que ele foi incompetente. Basta lembrar dos nomes de Robson (e ainda pagando para tê-lo), Potker, que era reserva em clube da série B, Bruno Vianna, contratado a peso de ouro, e o mau negócio quanto ao Kuscevic. Quanto a este, não que esteja no baixo nível daqueles, mas na negociação do Coritiba teria aberto mão dos 20% que detinha sobre os direitos federativos do Raphael Veiga, que a qualquer hora estará sendo negociado para exterior por alguns milhões de euros. Poderia incluir na lista o Rodrigo Pinho e Júnior Urso, mas vamos parar por aqui os amigos leitores devem ser os seus “preferidos”.

Transcrevo a opinião de um leitor (costumo ler todos os comentários, que muitas vezes me ajudam ou fazem refletir), o Celso Tauschek: “Como pode gastar quase 40 milhões para montar um time fraquíssimo como o atual que não consegue fazer uma única partida decente e ainda ter uma média salarial de 250K que não é difícil de presumir que há jogadores recebendo mais de 400K por mês que estão se arrastando em campo?”.

Isso sem esquecer que foi o Drubscky quem trouxe o Antônio Oliveira e submeteu-se às suas indicações para compor o elenco. Segundo o sedizente treinador, 90% do elenco novo teria sido sua indicação.

Mas, enfim, o erro foi corrigido ainda em tempo de salvar o ano e a direção merece reconhecimento por saber não persistir no equívoco.

Só não sei se com o atual elenco ainda dá tempo de fazer o time jogar o que não joga desde muito até a abertura da “janela” de contratações em julho.

Até lá, segundo penso, o Coritiba tem que jogar de modo racional, como time pequeno (atenção, não estou dizendo que o clube é pequeno e sim o time atual). Arrumar a defesa que tem a mania de tomar uma média superior a dois gols por partida, jogar fechado reconhecendo as suas limitações e tentar que um ou dois lances possa decidir a partida em nosso favor. O cenário é este, em que pese seja difícil dizer isso diante da história e tradição do Coritiba e da nossa permanente expectativa de sucesso há muito não correspondida.

Desde já alguém tem que trabalhar na prospecção de bons jogadores e encaminhar a negociação para consumá-la em julho. Quem o fará ainda é uma incógnita, mas o noticiário indica que serão o ex-goleiro Artur Moraes e o ex-CEO do Grêmio Carlos Amoedo. Que eles tenham sorte e principalmente competência para ainda em tempo qualificar o elenco e fazer o time crescer no campeonato.

Aguardemos essa providência e com ansiedade o anúncio da SAF, que parece ser um bom caminho no futebol moderno, mas vou com cautela e deixar para comentar depois que os termos da negociação forem oficialmente revelados.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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