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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Um fim anunciado.

Selado o destino do Coritiba no campeonato nacional da série B – não sobe e nem cai – se iniciam as discussões sobre as causas que levaram o clube a esse estado deplorável, tanto pelos consecutivos fracassos do ano como pela ausência de qualquer perspectiva positiva para o próximo e talvez para 2020.

O triste fim do Coritiba, alcançado cinco rodadas antes do final do campeonato, foi há muito anunciado por erros sistemáticos e seguidos, os quais só não viu quem não quis.

Primeiro, a falta de reflexão da direção eleita no final do ano passado, quando alcançou 37% dos votos consumados, ou seja, 63% dos votantes tiveram outra opção, enquanto o total dos votos obtidos representou 1/6 do colégio eleitoral da época. Isso não deslegitima o resultado, sempre assim afirmei, foi obtido democraticamente e dentro das regras do processo eleitoral. Mas, com a soberba que até então não se sabia que caracterizaria a atual direção, faltou uma reflexão dos eleitos de modo a sentir que não estavam representando a maior parte dos associados e que seria necessário um gesto de grandeza para compor com nomes de outros movimentos que tivessem vivência positiva no Coritiba. Todos do grupo vencedor eram marcadamente inexperientes, tanto que o presidente eleito até então só ocupara cargo no clube a partir de 2015, ou seja, com somente dois anos de vivência e ainda assim nos conselhos fiscal e deliberativo, o que tornava duvidosa a sua qualificação para tão grande encargo.

Depois, mas certamente fruto dessa inexperiência, a gestão iniciou com o erro de superestimar os jovens da base e o treinador da casa, entendendo que seriam suficientes para disputar o campeonato estadual e a Copa do Brasil. Fracasso no primeiro, com derrota vexatória para um time alternativo do maior rival, e papelão no segundo, onde já no primeiro jogo contra um time amador do Piauí o Coritiba somente empatou graças a um gol “achado” no final do jogo.

Sempre afirmando estar no caminho certo, a direção entregou a um suposto entendido a gerência do departamento de futebol, o qual encheu o Coritiba com duas dezenas de “pangarés”, quando a simples contratação de menos da metade, desde que capacitados, poderia fazer com que o time estivesse apto a ter sucesso na disputa da série B menos qualificada dos últimos anos.

Manifestações, crônicas, sites, redes sociais, todos os coritibanos (talvez exceto a torcida organizada que elegeu o grupo) mostraram a sua indignação com o modo pelo qual a gestão começava e os fracassos em competições menores, supondo que pelo menos para a disputa visando o retorno à série A a direção faria um mea culpa e se redimiria.

Qual nada, longe da autocrítica, sempre afirmaram os dirigentes, em especial o presidente, que estávamos no caminho certo e que logo viria o sucesso.

Mas ao contrário, o desastre gerencial continuou e se agravou, culminando neste final de ano triste, humilhante e sem perspectivas.

Mas o tema é de difícil esgotamento em uma só coluna, e prossigo em próxima.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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