COXAnautas - com o Coritiba desde 1996

30/01/13, 13h46 | Confabolando | Gibran Mendes

A ovelha verde dos Petraglias



Alguns anos atrás ouvi uma afirmação, quase que misteriosa e cheia de dúvidas: “Você sabia que o Petraglia tem um irmão Coxa”?. A frase do meu interlocutor me confundiu. Não sabia ao certo se ele estava afirmando, perguntando ou mesmo esperando uma confirmação de minha parte.

Aos poucos, volta e meia, este assunto surgia em conversas informais ou até mesmo nas redes sociais. Mas a curiosidade ficou. Afinal de contas o atual presidente do rival atende pelo sobrenome e o deixou como uma marca registrada do time da baixada.

Dias atrás recebi o contato de um amigo, informando que tinha estabelecido contato com José Aníbal Petraglia, irmão de Mário Celso. Este amigo disse que tratava-se de uma pessoa extremamente acessível e perguntou se eu não gostaria de uma entrevista.

Pauta dada, pauta cumprida. A ovelha verde dos Petraglias, José Aníbal, prontamente respondeu meu contato por e-mail e assim realizamos a entrevista. Extremamente polêmico e direto, marca que parece ser registrada da família, José Aníbal Petraglia falou sobre tudo e sem meias palavras.

A origem da família, a paixão do pai pelo Peñarol, sua opinião sobre o campeonato paranaense e a polêmica envolvendo o empréstimo do Couto Pereira, o potencial do Coritiba, Copa do Mundo e o relacionamento com a imprensa. Nenhuma pergunta ficou sem resposta. Até para si reclamou a alcunha de “Coronel Petraglia”.

Vindo de uma família de lutadores e que lutava pela sua sobrevivência, como ele mesmo refere-se, filho de imigrantes uruguaios e que estudou em escolas públicas. Tem um sem fim de cursos, desde eletrotécnica, passando por dezenas deles na Marinha como ciências navais e engenharia operacional mecânica, até gestão esportiva com a Brunoro.

Na carreira militar José Aníbal Petraglia enveredou para a Aviação Naval, onde permaneceu por mais de duas décadas. Acumulou experiência Naval, missões internacionais e nacionais, acumulou mais de 1.700 horas de vôo em operações de treinamento para guerra, atividades no continente ártico entre outras atividades militares.

Após anos dedicados à Marina, encerrou suas atividades como capitão-de-fragata, o equivalente a tenente-coronel nas outras forças armadas. A partir de então enveredou por atividades empresariais, sendo superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina na gestão Jaime Lerner e encabeçou projetos empresariais em Araquara, no interior de São Paulo, onde até hoje está estabelecido.

A entrevista é recheada de sinceridade, bom humor e sobretudo polêmicas.



1 - Como o Sr. vê a rivalidade Atle-Tiba hoje em dia?

Vejo como uma grande insanidade. Não faz sentido rivalidade fora de campo. Sou do tempo que íamos juntos aos estádios, ver os jogos e vibrar com nossos times. Zoávamos muito, lado a lado, e apostávamos o bife no pão do intervalo e do final de jogo.
Não havia as torcidas organizadas e nem a violência de hoje em dia.

Cada clube cuidava dos seus assuntos internos. A rivalidade e as provocações ocorriam nos jornais e nas entrevistas dos Boleiros.
Considero as Direções dos Clubes Paranaenses como responsáveis por este estado de coisas, com ênfases nos clubes curitibanos.
Ao invés de se unirem no extra-campo, a fim de elevar o futebol, ficam de pinimbas e atitudes negativas com os rivais, que nada contribuem e nada somam, para trazer o crescimento do futebol paranaense.

É uma imensa fogueira de vaidades e invejas gratuitas, alimentadas pelos despreparos e amadorismos de alguns dos seus dirigentes.
Não vejo e nem sinto perspectivas de mudanças,nem a curto e nem a longo prazo.

2 - Como é ser Coxa-Branca e levar um sobrenome que ficou intimamente ligado ao Atlético? Quantos são os coxas e quantos são os Atleticanos na família?

Quando era menino, antes dos seis anos, torcia para o Peñarol do Uruguai, pois com meus Pais imigrantes Uruguaios, sem TV no Paraná, eu ouvia as transmissões dos jogos junto com o meu pai, em frente ao seu enorme radio de ondas médias e curtaS, com dial verde e tudo.
Já acompanhava a Libertadores e Sulamericana e o pai se orgulhava que o Peñarol dizendo, na época, que era o maior vencedor delas.
Em Curitiba ele torcia pelo Água Verde, desde que moramos na R. Bento Viana.

Depois nos mudamos para o Alto da Rua XV, na Rua Gal. Carneiro, e passei a ser levado pelos irmãos e amigos ao então estádio Belfort Duarte e acabei Coxa.
Ainda mais que foram décadas de vitórias e vitórias, contra os então Times existentes, Atlético, Ferroviário, Água Verde (depois Pinheiros e depois Colorado), Britânia, do Operário de Ponta Grossa, Rio Branco, do Bandeirantes, do Londrina, do Maringá, etc.

Até que começaram os torneios com o Rio-São Paulo-Minas, o Robertão e etc. Nesta época eu morava em Curitiba e ia a quase todos os jogos.
Tinha um pôster na sede do estádio do Coritiba, desta época, bem grande, onde aparecemos na arquibancada torcendo, eu ainda um garoto... Mas não sei se ainda existe.

Quanto a ter sobrenome igual ao do Presidente do nosso rival, tiramos de letra. Somos quatro casais de irmãos, sendo que, dos homens, somente ele é Atleticano. Desde que morávamos na R. Bento Viana e ele ia aos jogos no antiquíssimo estádio Joaquim Américo.

As irmãs torcem pouco. Que eu saiba somente uma é Atleticana. Duas não torcem e a outra era torcedora do Água Verde, como meu pai.
O único fanático por futebol e por um time é ele. Nenhum dos demais é fanático.

Eu sai de Curitiba com cerca de 18 anos e nunca mais voltei. Fui estudar fora e segui minha vida profissional pelo mundo.
Quando morei no Rio de Janeiro, nos estabelecemos nas laranjeiras e passei a torcer pelo Fluminense. Casei com uma Gaúcha gremista e passei a torcer também para o Grêmio. Em Minas Gerais, pelo Reinaldo, acabei sendo torcedor do C.A. Mineiro e, depois que vim para Sao Paulo, passei a torcer pelo São Paulo..
Somente que, com o Coxa em campo, contra qualquer um deles, torço pelo meu Coritiba, escolhido desde a infância.

Considerando todos os integrantes e agregados da Família, Cunhados, Sobrinhos, seus filhos, etc., hoje tenho certeza que a maioria é Atleticano, infelizmente.
Até pela influência dele, como presidente desde 1995.

Não existe rivalidades ou rixas por futebol entre os irmãos. Uma vez que o fanatismo é só dele.
E mais, independentemente das nossas preferências por times distintos, todos nós torcemos por ele e pelo seu sucesso junto ao seu clube e time do coração.



3 - Como o Sr. Vê o futebol paranaense hoje em dia? Há como competir com os times do eixo em campeonatos como a Série A?

Ora, o futebol paranaense não existe, como nunca existiu a nível nacional. Quem fora daqui conhece os demais times, além do Coritiba, Atlético e Paraná???
O que existe são três times curitibanos lutando, cada um por si, contra tudo e contra todos.
É uma burrice tão grande que não há adjetivos para ela.

Pelo que se noticia nos meios de comunicação, destes três clubes, o único que não está falido é o CAP.
Nosso Coritiba e Paraná estão falimentares e sem perspectivas de recuperação a curto e nem a médio prazo. A longo prazo, talvez.
Isto também não é privilégio dos times paranaenses. A grande maioria dos times brasileiros estão falidos.

Claro que, do Paraná, somente esses três times podem conseguir fazer frente aos demais do eixão Rio-SP-Rio Grande-Minas Gerais e olhem que sempre tem um deles na segundona.

Logo, a resposta a sua pergunta é: - "Não, nao há como competir de igual para igual com os times do eixão acima descrito".

O futebol profissional tornou-se muito caro e os times, para se manterem ativos e com craques caros, acabam por se endividar...
Futebol é alegria do brasileiro. É o que nos faz felizes. Por que os demais esportes tem incentivos governamentais e o Futebol, não?

Nosso futebol é pobre. A quase totalidade dos Boleiros brasileiros ganham muito pouco. Somente uma pequena parcela de bons boleiros, às vezes nem tanto, com empresários espertos, é que ganham mais.

Então que se estabeleçam critérios, cláusulas e condições e se incentivem os clubes de futebol. Não só os grandes e famosos.

Isto também é distribuição de renda.

Existem milhares e milhares de histórias de meninos pobres ou de rua, que foram salvos pelos esportes, ao invés de enveredarem pelas drogas e tornarem-se bandidos.
O Futebol no Brasil deveria ser tratado de forma mais séria, diferenciada e incentivada pelos Governos! Deveriam ser criadas as Ligas, de acordo com as capacidades técnicas e em vários níveis de campeonatos Nacionais.

Os Campeonatos Estaduais perderam a razão de ser, em função dos torneios e campeonatos internacionais, como a Copa do Mundo e das Confederações a cada qiatrO anos, as Olimpíadas, a Sulamericana, a Libertadores, a Copa do Brasil, Brasileirão, etc...

O Futebol Brasileiro tem que se adequar a estes novos tempos, referenciando no calendário FIFA e Europeu, assim como os demais, a fim de se possibilitar as transferências e Negócios do Futebol.

Como todos sabem, o futebol atual envolve bilhões e bilhões de dólares, euros, reais ou outra moeda qualquer de referência e não pode ser administrado levianamente!
Além disto, Futebol custa muito caro e qualquer Boleiro hoje em dia, meia boca, está exigindo milhões para jogar.

Comparando os Boleiros de hoje, com os das décadas de 50, 60, 70 e 80, a grande maioria dos atuais "craques", nem no banco de reservas ficaria.
Até nossa geração, os "pernas de pau" de então (falo de nós, meninos da várzea), teria lugar nos times de hoje e ganhando muito.

Como podem exigir times ganhadores com cobranças de entradas a menos de R$ 100? Qualquer joguinho na Europa custa muito mais de US$ 100 cada ingresso e em lugar ruim. Quando estamos de turistas, não nos importamos de pagar lá fora, mas, aqui, exigimos ingressos a R$ 20, R$ 30 e no máximo a Rr$ 50 o ingresso.
Como fazer futebol desse jeito?

Que se trate o futebol como de fato ele o é hoje em dia... Muito caro…

Que só possam ir aos estádios modernizados, seguros e confortáveis quem puder pagar para assistir ao espetáculo. O que não impede que parte dos ingressos sejam subsidiados. Isto fará com que o futebol cresça e não se mate "a galinha dos ovos de ouro".

Os demais interessados que não puderem, que assistam nas Redes de TV Abertas ou no PPV.

Sem uma ação radical neste sentido jamais deixaremos de ser medíocres. Veja que a nossa Seleção Brasileira de Futebol, sempre entre os quatro primeiros do mundo, hoje ocupa o 16º lugar.

Uma vergonha!

4 - E a atual administração do Coritiba? O que o Sr. Pensa da administração do presidente Vilson Ribeiro de Andrade?

Pouco ou nada sei da atual administração Coxa. Analiso pelos resultados conseguidos e pelas realizações efetivadas. Perdemos a Copa do Brasil para o Palmeiras, no ano passado, e quase fomos rebaixados novamente.

Ah, mas ganhamos o campeonato paranaense, dirão. E daí? O que isto significou para o clube, para o time? Qual o crescimento proporcionou? Quanto foi o seu faturamento? Qual percentual a mais?

Nada, absolutamente nada. Só prejuízos. Os grandes clubes pagam para jogar, esta é a realidade.

Esta é a minha visão e opinião.

Quanto à administração do atual Presidente DO CFC, seria leviano da minha parte emitir qualquer opinião, pois nada sei e nada acompanho do dia-a-dia do Coxa e nem dele! Aprendi a não criticar quem está com a responsabilidade e o ônus das decisões e realizações. Só eles sabem as pressões que sofrem e até onde podem atuar.

Cornetar é muito fácil, sem a responsabilidade de fazer acontecer.

Eu, como torcedor o apoio na sua gestão, por estar à frente do meu Coxa, pelo qual quero sucesso, sempre.

Posso, no entanto, opinar sobre algumas das suas atitudes e decisões, como a de negar a locação do Couto Pereira para o seu rival, num momento em que ele estava necessitando. Assim como levantar questões sobre os potenciais construtivos e outras questões que não lhe dizia respeito.

A principal, ele preferir ficar com um Estádio calado e vazio, sem gerar receitas, mantendo as despesas, somente porque o locador era o rival, que ele antipatiza. Não me parece de bom senso. Isto em nada contribuiu para o clube. Pelo contrário, ficaram as mesmas despesas, que seriam menores se alugado para o rival. Um presidente deve pensar grande e ele me parecia ser alguém assim.

E mais, nunca se sabe o dia de amanhã.

Certamente, em algum momento no futuro, O Coritiba precisará do CAP.

Pura pinimba e vaidade pessoal, que pouco contribui ou demonstra a grandeza do nosso sempre glorioso Coxa.

Além disto, suas posturas sempre caminharam para desdobrar em acirramento dos ânimos entre torcidas rivais, o que não tem cabimento.

Já o Joel Malucelli, Coxa como nós, colocou seu estádio à disposição e está colhendo os frutos desta decisão. Agora herdará o Janguitão iluminado, fora as demais melhorias proporcionadas pelo rival impostas pela CBF.

Quem está certo? Quem negou o elefantão que só come e traz despesas, por pinimba, ou quem liberou o elefantinho que será sustentado pelo Atlético e sua Torcida?

Presidente de qualquer instituição tem compromissos morais com a história dela. Não pode deixar as suas atitudes pessoais enxovalhar a história de um clube. Eu penso assim.
Mas enfim, a biografia é dele. Deve saber o que está fazendo.

5 - Na sua opinião, o atual elenco do Coritiba tem condições de conquistar um título nacional?

Claro que não, óbvio que não. Tenha certeza que lutaremos para não cair em 2013 novamente, como em anos anteriores. Futebol se faz com grana e muita.

Falidos e endividados como estamos, devendo cerca R$ 120 milhões, como noticiado, como fazer futebol profissional atualmente?

Manter um time de futebol glorioso como nosso Coxa, em primeira linha, não custa pouco. Uma equipe profissional, com comissão técnica de qualidade e com elenco de primeira, não se consegue sem recursos.

E com os preços dos ingressos ridículos que se cobram? Impossível querer qualidade e Títulos!

Creio ser impossível o nosso Coritiba lograr qualquer Título Nacional ou Internacional a curto e médio prazo. A longuíssimo, quem sabe?
Deveremos nos conformar com o ruralzão, se é que o Atlético, Paraná ou Londrina não o levarem.
E torcer muito para não cairmos para a segundona neste ano. E não estou sendo pessimista, somente realista!!!
Nosso Treinador, mesmo sendo capaz, é inexperiente para estar a frente de um Time como o nosso Coritiba e leva-lo a Campeão Brasileiro ou da Libertadores… Não nos enganemos!!!


6- A respeito de um novo estádio para o Coxa? Na sua opinião, qual seria a melhor solução? Reformar completamente o Couto Pereira? Construir um novo estádio? Em qual local?

Eu tinha um projeto, desde 1995, para reformar o Couto Pereira, adequando-o para os encargos da FIFA de então.

Para se cobrar valores adequados de ingressos, para bons espetáculos, deve-se oferecer um produto de qualidade.
O tempo passou, a FIFA mudou e passou a exigir novos parâmetros e condições e o Couto Pereira ficou no tempo. Reformá-lo será jogar dinheiro caro fora.

Eu teria chamado o Paraná e o Atlético, assim que se confirmou a Copa em Curitiba, para conseguir um novo estádio para cada um. Recursos o País e o Paraná tem e muita.

O Paraná tem o Boqueirão e poderia reforma-lo para 20 a 25 mil espectadores, mais hospital, shopping, lojas, restaurantes, etc….O Atlético daria andamento ao seu projeto, sem pendências e desgastes, com todos cuidando das suas tarefas.

O mesmo faria com o Coritiba. Construiria um novo estádio Couto Pereira para 45 mil espectadores. Afastado de 10 a 15 km do centro da cidade, negociando com os governos, estadual e municipal, uma grande área de interesses deles a ser desenvolvida.
Com isto, dependendo da importância dos jogos, escolher-se-ia o Estádio, em função dos maiores retornos!

Em atuação paralela, com nossos Governantes e Políticos, ir atrás das verbas do PAC para toda infraestrutura de transportes, energia, metrô, trens, estradas, ruas, bairros, casas, condomínios, tudo enfim, para agregar ao máximo.

Neste Estádio Coxa, o que menos importaria seriam os cerca de 60 jogos anuais.
Seriam prioridades, hospital, upas (nota do editor: unidades de pronto atendimento à saúde), shopings, escolas, faculdades, casas de shows, restaurantes, churrascarias, etc. Atraindo investidores para tudo..

A rivalidade ficaria restrita aos jogos dentro de campo e muita zoação para somente depois de tudo pronto.

Com isto, teríamos a Vila Capanema, o Alto da Glória e o Pinheirão para geração dos recursos necessários ao projeto, complementado com empréstimos do BNDES para a viabilização disto tudo.

Somente com metade do que se gastou no Maracanã, no Mineirão ou no Corinthians, o Paraná atenderia seus clubes da capital e ainda geraria milhares e milhares de empregos rapidamente.

Acrescente-se a isto que os três estádios poderiam estar sendo construídos pelas mesmas empresas e fornecedores paranaenses, que estão construindo a Arena dos Poodles, com geração de mais milhares e milhares de empregos….somados aos demais milhares das demais obras de infraestruturas… estradas, ruas, bairros, condomínios, asfaltos, etc… e a possibilidade de atração da iniciativa [rivada...

Mas a visão da aldeia é Curta. Os nossos dirigentes são praticamente cegos ou possuem visões limitadíssimas.

Não me refiro somente aos Dirigentes dos Clubes, mas de todos os Governantes e todos os Políticos que não tiveram competência e nem capacidade de sair de Curitiba e ir conhecer o que os demais estados estavam criando, conseguindo e fazendo, com recursos federais a fundo perdido.

As quireras, invejas, maldades, vaidades e incapacidades imperaram e todos perderam o bonde da história da Copa do Mundo no Brasil e em Curitiba, em 2014.
Agora é tarde, passou.

Sempre seremos como distritos dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

O nosso já famoso complexo de vira-latas, que nós curitibanos insistimos em manter, é uma realidade.

Nunca mais, ou jamais, teremos nova e fácil oportunidade como esta que deixaram fugir das mãos.

Só quem soube agir e lutar foi o Atlético e logo, logo, eles terão suas arenas, arena e areninha, prontas.

Receberão alguns jogos da Copa e depois decolarão seu clube para sempre…

Ficaremos na poeira.

Tenho, assim como todos os Coxas devem ter, a mais nítida certeza que jamais alcançaremos o Atlético. Em termos de patrimônio e potencial de criar grandes times e elencos.

Claro que continuaremos surrando-os dentro de campo, mesmo dentro da arena deles, como já o fizemos várias vezes, pois somos gloriosos e vamos continuar nos endividando, para fazer frente aos adversários.

Mas será sempre com muito sacrifício e tendo que aguenta-los nos azucrinando.

Quem viver verá!



7 - Os dois principais clubes do Estado estão jogando, pelo menos no início, o campeonato paranaense com equipes que não são as principais. Qual seria a fórmula ideal para o Campeonato Paranaense, que está cada vez menos atrai interesse do torcedor e com um calendário tão extenso?

Se estivesse presidente, nem jogar o estadual eu permitiria. Caso a lei nos obrigasse, faria exatamente o que estão fazendo. Jogaria com times sub-23, 20, 18, 15, 12, 10, 8 ou dente-de leite. Só para cumprir tabela e marcar presença, treinar os novos.

A fórmula ideal para o campeonato paranaense é simplesmente extingui-lo e passar a focar as demais Divisões do Brasileirão, onde a rivalidade e disputas permaneceriam e com mais rendas.

Fora isto, não existe solução.

8 - Qual é a fórmula ideal, na sua avaliação, do relacionamento de um clube de futebol com a imprensa?

Uma fórmula ideal não existe. O que deve existir é uma relação formal, comercial e profissional, protocolar, de respeito entre as partes, onde os clubes recebam valores adequados das mídias impressas, faladas e televisadas (sic) e estas possam exercer seus trabalhos dentro de cláusulas contratuais negociadas e firmadas.

Fora isto, é amadorismo e a exploração dos Clubes de times de Futebol Profissional.
Não se pode aceitar, nos dias de hoje, onde milhões e milhões de reais são gastos em marketing pelas empresas, ao contratar as mídias, e que estas nada paguem para a casa dos artistas da bola, que são os Clubes de Futebol Profissional.

Que o clube receba de acordo com o que proporciona, em função do tamanho da sua torcida. Isto é o justo!
Quanto mais torcida, quanto mais sócios, mais audiências, maiores os valores, pois maiores os retornos para os investidores no marketing esportivo.

Todos sabem que o marketing do futebol é o que mais retorno proporciona às empresas que investem nele. Nada mais correto e justo do que um clube, que investe muito no seu futebol, que consiga muitos torcedores e sócios, que proporcionem altos retornos a quem investe nele, receba a sua cota devida.
Querer pagar migalhas a um Clube como o Coritiba, de mais de 100 anos, ou nada pagar para transmitir seus jogos, rádio ou TV é um absurdo e um acinte.
Se estivesse presidente, também não permitiria, se os valores não fossem adequados.

Sem a imprensa o futebol não existe, claro. Mas, em compensação, sem grandes times de futebol a imprensa também não existe.

E mais: a imprensa é muito mal remunerada. Passam por chuvas, frio, viagens, hotéis ruins, tudo para atender ao futebol e ganham muito pouco. Alguns setores do futebol ganham muito, como os boleiros, técnicos, mídias, etc..
Enquanto no seu entorno, clubes, jornalistas, massagistas, gandulas, árbitros, padecem numa miséria, em comparação aos demais.

Ao invés de um ciclo - perder-perder, todos devem buscar um ciclo ganhar-ganhar.
Para os Clubes receberem mais, as mídias terão de receber mais, também para remunerar mais e melhor os seus profissionais! Os Clubes sendo fortes, econômica e financeiramente, poderão montar elencos e times fortes… gerando mais torcedores e sócios e, com isto, mais rendas… Isto desdobraria em mais investimentos das empresas nas mídias, gerando um ciclo positivo… com todo mundo ganhando… Hoje este ciclo é negativo! Ocorre exatamente o contrário. O Atlético iniciou a luta a favor do ciclo positivo… O Coritiba deveria fazer o mesmo...

Esta situação um dia terá de mudar.

9 - Existe muitas discussões na família por causa do confronto AtleTIba? Os seus netos já acostumaram-se com as vitórias do Coxa?

Nada. Nunca houve discussões ou brigas na família por futebol. Até porque a maioria não é fanática e a formação que nos foi dada por nossos pais foi bastante rígida.

Quanto ao netos se acostumarem as vitórias dos coxas, você deve perguntar a ele... Somos coxas e não temos netos... (risos)

10- A exemplo do que seu irmão fez no Atlético, o Sr. Também pensa em entrar na vida política do Coxa?

Caro Gibran, futebol é coisa para profissionais, não para amadores. Sou um torcedor amador e não fanático.
Não sou do ramo, não tenho capacidade, nem vontade e nem mais idade para uma empreitada destas.
Isto é para quem gosta do futebol e seus bastidores, assim como exige experiência de anos e anos acompanhando tudo fora das quatro linhas e dentro de um clube de futebol profissional. Nunca foi o meu caso...
Gosto do bom futebol jogado e entendo tanto dele, quanto qualquer outro brasileiro. Sou expert e técnico de futebol, na mesma medida que milhões de outros brasileiros.

E mais, o nosso Coxa tem pessoas e profissionais de altíssimo nível, criativos, visionários, realizadores, que gostam do futebol intramuros e capazes de conduzir o nosso coxa igual ou tão melhor do que o fez o Chinês, Evangelino da Costa Neves.
Tenho a mais absoluta certeza disto!

12 – Há algo mais que o Sr. deseja acrescentar?

Sim. A primeira é que, se você observar, todos os times para os quais eu torço, desde sempre, são contrários e inimigos dos poodles, com ênfase no Coxa, São Paulo, Fluminense, Grêmio e C.A. mineiro. Nenhuma aproximação com eles, Atleticanos. Somos contrários e adversários sem tréguas (risos)

A segunda, como curiosidade, é que ele (Mário Celso Petraglia) sempre foi chamado e conhecido em Curitiba, como o Dr. Mario Celso, até 1997.

Quando eu fui para a Marinha do Brasil adotei como nome de guerra o nosso sobrenome de família: Petráglia, desde "aspirante", "guarda-marinha", "tenente", "capitão-tenente" e "comandante" -> "petráglia". A carreira toda!
Este nome de guerra me acompanhou quando vim para o governo Jaime Lerner, em 1995, por causa dos portos de Paranaguá e Antonina, onde existem capitanias da Marinha do Brasil e como sendo do meio, continuei conhecido e chamado como "Comandante Petráglia" normalmente.
Ao longo do tempo aí no Paraná, o então Deputado e Presidente da Assembleia Legislativa, meu amigo e xará, Anibal Cury - de saudosa memória - para zoar comigo, só me chamava de "coronel”. Era "coronel" pra cá, "coronel" pra lá. E isto pegou enquanto permaneci no Paraná…..

Quando deixei o Governo em 1997 e fui para a iniciativa privada, mudando de Curitiba, acabei esquecido e meu Nome de Guerra acabou migrando para o meu irmão, então Presidente dos Poodles.
Como existia, E existe até hoje, o vereador Mário Celso Cunha, todos, imprensa, amigos, conhecidos, adversários e inimigos dele, passaram a chama-lo de "Petráglia", por facilidade, e de "Coronel" DE FORMA pejorativa (risos).
Esta é a origem do seu aposto "coronel" e como se originou seu novo nome de guerra - Petráglia, do Clube Atlético Paranaense. Na verdade, de fato e de direito, de carreira, o "Coronel" Petráglia sou eu. (risos).

Mas, sem dúvida alguma, o nosso sobrenome, agora, está muito mais conhecido, respeitado e representado, sendo usado por ele do que por nós.

Eu passei a ser - "José Aníbal Petráglia", o irmão do "homem" (risos).

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