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Falando de Bola
Falando de BolaRicardo Honório

A eficiência do ataque alviverde

Na última coluna eu escrevi sobre o técnico Gustavo Morínigo e como, em minha opinião, ele vem tirando leite de pedra com o elenco que tem à disposição. Principalmente quando falamos em opções para o setor ofensivo.

Atualmente o Coritiba ocupa a 2º colocação, com uma campanha de 6 vitórias, 3 empates e 1 derrota, 11 gols pró e 5 gols contra, gerando um aproveitamento de 70%. Aproveitamento esse que leva tranquilamente o Coritiba à primeira divisão.

A campanha se torna ainda mais exitosa quando percebemos um time em franca evolução e perfeitamente encaixado em seu setor defensivo, gerando pouquíssimas oportunidades aos adversários. Nos últimos sete jogos pela Série B, depois da desclassificação para o Flamengo na Copa do Brasil, o Coritiba não perdeu e levou apenas dois gols, o que prova a eficiência do setor defensivo.

Porém, a campanha poderia ser ainda melhor se o treinador pudesse ter melhores opções à sua disposição para montar sua linha de frente. Dos onze gols que o time marcou até agora, cinco foram feitos por Léo Gamalho, três deles marcados nos últimos três jogos, dois contra o Remo e um contra o Vasco, o que prova que se a bola chegar nele, a chance do Coritiba conquistar a vitória é muito maior.

Dos demais gols marcados, quatro foram feitos por atacantes, três por Waguininho e um por Igor Paixão. A lista é completada por Luciano Castan e Val.

Mas, se, na marcação de gols, os atacantes são responsáveis por 82% dos gols da equipe, como dizer que se o técnico tivesse melhores opções ofensivas a campanha do Coritiba poderia ser ainda melhor se os números dizem exatamente o contrário?

Uma boa pergunta para ser debatida. Analisando apenas pela visão dos números concretos, realmente o ataque do Coritiba tem sido efetivo, participando de nove dos onze gols da equipe. Os únicos gols do Coritiba que não tiveram participação do ataque foi o de Val na vitória contra o Avaí por 2x0 e o de Luciano Castan na vitória contra o Guarani, também por 2x0.

Mas, em minha opinião, o grande problema não está somente na falta de qualidade de Waguininho e Igor Paixão, pois os números comprovam a utilidade deles para a equipe, apesar de que o fato do Coritiba ter uma média baixa de gols, 1,1 por jogo, mostra que se o ataque for ainda mais efetivo, crescem ainda mais as chances do Coritiba na competição.

Falando especificamente de Igor Paixão, que vem sendo criticado nos últimos jogos, a sua importância para a equipe é facilmente visível e ficou comprovada nos jogos contra Remo e Vasco. Contra o clube paraense, o jogador fez um primeiro tempo muito abaixo e poderia ser facilmente substituído, mas no segundo cresceu de produção e foi o responsável pelo excelente cruzamento para Léo Gamalho fazer o gol da vitória. Contra o Vasco, mais uma partida abaixo, perdendo excelentes oportunidades de ajudar o time a chegar à marcação do primeiro gol, mas foi responsável pela jogada que originou o empate, puxando muito bem o contra-ataque e dando o passe no momento certo para Rafinha.

Sem um atleta de velocidade no elenco alviverde, Igor Paixão é o jogador que tem a característica de desafogar o time e tentar levar a bola com rapidez ao ataque, fatos que muito provavelmente comprovam a insistência que Gustavo Morínigo tem em seu futebol. Mas não dá para negar que o jogador é o responsável por um grande número de perdas de bolas, desperdiçando jogadas que poderiam terminar em gols.

O que falta ao jogador é uma maior capacidade cognitiva para tomar decisões melhores quando envolvem o último passe ou a finalização, evitando principalmente a precipitação, fato que é facilmente percebido em jogadas que envolvam o jovem atacante.

É importante salientar que estamos falando de um jovem jogador, de apenas 21 anos, que é um ativo do clube, e que pode render muitos frutos lá na frente. A sua questão cognitiva pode ser muito bem trabalhada pela comissão técnica, que tem totais condições de ajudar o jogador e fazê-lo evoluir. E com a sua evolução, quem ganhará é o Coritiba e sua torcida.

Para um clube sem condições financeiras de trazer um grande nome e considerando ainda dois fatores: mercado inflacionado e escassez de bons jogadores, apostar na evolução de um jogador que tem sido útil pode ser o melhor caminho para o ataque alviverde passar a ter um desempenho ainda mais efetivo.

Saudações Alviverdes
Ricardo Honório

Sobre o autor

Ricardo Honório
Ricardo Alexandre Honório Alves, mais conhecido como Ricardo Honório, funcionário público federal. Coxa-Branca desde 1975, tem como maior ídolo o craque Tostão, maior jogador que viu jogar com a camisa Coxa. Louco por futebol desde criança, tinha como hobby colecionar figurinhas e a Revista Placar, além da leitura diária de jornais esportivos. Com isso desenvolveu o gosto por acompanhar tudo que envolvia futebol e não apenas o Coritiba, o que o tornou Colunista do COXAnautas desde 2005, convidado pelo amigo Luiz Betenheuser, sendo o responsável pelas informações não só do Coritiba, como principalmente dos adversários do Verdão.

Sobre o blog

O Blog "Falando de Bola" é comandado pelo estudioso do futebol Ricardo Honório e visa abordar tudo que envolve o mundo da bola, focando, claro, no Coritiba. Adversários, tendências do futebol atual, táticas, mercado da bola, futebol internacional e tudo que estiver ligado ao tema você encontrará nesse espaço, que tem o objetivo de ser uma verdadeira "arquibancada virtual", onde o assunto é sempre ela: a bola.
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