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27/05, 16h44 | Falando de Bola | Ricardo Honório Alves

Com a ajuda de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Tem coisas que jamais nos sairão da memória. E aquilo que começou na noite de 31 de julho e acabou na madrugada de agosto de 1985 jamais será esquecido.

Antes da finalíssima, aquele campeonato brasileiro tinha trazido grandes emoções para a torcida Coxa. Algumas mais comentadas, como o gol de Lela no último minuto do jogo contra o Santos que classificou o time para a segunda fase, o sufoco na semifinal contra o timaço do Atlético MG no Mineirão, que ficou marcado pela defesa espetacular de Rafael, e outras nem tanto, como os golaços de Marildo, que deu a vitória contra o Flamengo no Maracanã, e de Lela contra o Joinville, encobrindo o goleiro adversário, após um belo lançamento do goleiro Rafael.

O jogo contra o Bangu era marcado de grande expectativa. Lembro como se fosse ontem. Tinha apenas 9 anos no dia do jogo, completaria 10 quando Gomes converteu o gol do título.

Queria muito ir ao Maracanã, mas meu pai se enrolou, com medo de confusões, e acabamos não indo. Meu irmão Fernando e meu grande amigo Dimas foram em um Del Rey com mais quatro pessoas dentro. Ah, como pensei em me esconder no porta-malas naquele dia.

Em casa estávamos todos preparados para a grande final. Como consolo, minha mãe tinha costurado uma enorme bandeira verde e branca para mim. Enrolado nela, via o jogo começar.

O Coritiba tinha um time acertado, mas o Bangu tinha uma equipe mais técnica e o atacante Marinho, eleito craque do campeonato, além é claro do poderoso bicheiro Castor de Andrade, que na época tinha grande influência no Rio de Janeiro.

A tensão era total, o Bangu tinha domínio do jogo, mas aos 26 minutos do primeiro tempo, Indio, que não fazia gol há 16 jogos, bate uma falta com perfeição e abre o placar para o Coritiba. O gol era um sinal dos deuses de que o time Coxa seria campeão, pois além do jejum de gols, o centroavante Alviverde não tinha o costume de bater faltas. Explosão da torcida Coxa no Maracanã e na sala da minha casa. Era um misto de gritos, sorrisos e choro.

Mas não deu para comemorar por muito tempo, nove minutos depois o Bangu empatava com o meia Lulinha, após uma bola espirrada do lateral Dida. A tensão voltou com intensidade.

Após o gol só deu Bangu. Com o apoio de 90% dos torcedores que foram ao Maracanã, o time carioca pressionava de todas as maneiras, e chegou até a marcar com Marinho, mas o árbitro Romualdo Arppi Filho corrigiu o erro do bandeira e marcou impedimento.

Mais sufoco na prorrogação, mas nada de gols. Faltava pouco, mas a tensão foi ao limite máximo com a disputa de pênaltis.

Ninguém errava. O Bangu marcava de um lado, o Coxa ia lá e empatava. Lembro como se fosse ontem da tensão que foi ver o zagueiro Vavá bater o seu pênalti no meio do gol. Sorte que o goleiro Gilmar, provavelmente com medo da bomba que se anunciava, se jogou para um canto para não ser recolhido com bola e tudo para dentro do gol.

Quando as cinco cobranças de cada lado acabaram com todos os pênaltis convertidos, a tensão aumentou ainda mais, já que agora as cobranças seriam alternadas e qualquer erro poderia ser fatal.

A lembrança do pênalti de Ado vem com muita clareza. Minha mãe ajoelhada na frente da tv, com as mãos estendidas aos céus, rogava para que a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro fechasse o gol de Rafael. Os gritos de incentivo se transformaram na mais profunda oração.

Quando Ado correu pra bola, a santa, que dá o nome a igreja em frente ao Couto Pereira, deu um empurrãozinho na trave direita de Rafael, diminuindo um pouco o quadrilátero que o ponta do Bangu tinha para fazer o gol, mas que foi o suficiente para que Ado desperdiçasse sua cobrança, mandando a bola na trave.

A oração de Dona Elisa, minha mãe, novamente se transformou em um misto de alegria, choro e sorrisos quando logo em seguida o zagueiro Gomes pegou a bola e correu para dar o final mais feliz da vida de um torcedor Coxa-Branca.

Eu, um guri de 10 anos recém completados, fui dormir feliz na vida, enrolado na bandeira Alviverde e com a sensação de ser o torcedor do melhor time do Brasil naquele momento. Uma sensação que realmente não se explica, apenas se vive.

Saudações Alviverdes
Ricardo Honório

Debate

  • "Relendo mais uma vez a crônica do Ricardo Honório (palavras abençoadas por N.S. do Perpétuo Socorro), novamente sobreveio a inevitável emoção. É como uma terapia: sobra um momento neste recolhimento, vamos direto ao COXAnautas.
    Que tudo volte à normalidade o mais breve possível, mas, enquanto novidades não chegam, continuem neste profícuo trabalho de resgate: saudável para os mais velhos, informativo para os mais novos, e conquistador de novos torcedores junto à garotada de familiares e amigos Alviverdes. SAV."

    Luiz Roberto | 04/06, 14h58

  • "Como disse o cara ai,, como jogava o Toby,,, jogava muito facil, apanhou o jogo inteiro.

    E o Dida? que lateral bom hein, incansavel, marcando o Marinho, que era craque de bola, mesmo assim sabia sair jogando, driblava quando precisava.

    meu pai foi ao jogo, nao me deixou ir, eu so tinha 8 anos, ele tem o ingresso ate hoje, fui com ele em todos os jogos no couto naquele ano.

    Ainda tenho a placar do titulo.

    Abraco a todos."

    Ricardo T. | 01/06, 10h40

  • "Que presente de aniversário hein!!!"

    R. L. Zanetti | 01/06, 08h34

  • "Quando o Coritiba foi campeão brasileiro eu tinha 21 anos de idade, assisti o jogo sozinho na casa da minha Tia, pois na minha não tinha TV. Sou piauiense, já disse aqui no coxanautas, quis o destino que eu fosse torcedor do Verdão do alto da gloria, sou sócio torcedor, já disse aqui também, atualmente moro e Rondônia! Revi o jogo novamente emocionado pelo globo esporte.com!"

    José Avelar Carvalho | 31/05, 18h42 | Móvel

    • "Avelar, aceite nossos abraços aqui do Paraná! Seja por laços familiares ou por decisão espontânea de afetividade ao glorioso Coxa, seu exemplo nos motiva ainda mais: sócio torcedor em Rondônia!! Exemplo de amor incondicional às cores alviverdes. Saudações, amigo!"

      Luiz Roberto | 31/05, 19h32

    • "Muito obrigado! Amigo Luiz Roberto!"

      José Avelar Carvalho | 01/06, 19h18 | Móvel

  • Ver todos os comentários (22)

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Equipe COXAnautas

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O Blog

O Blog "Falando de Bola" é comandado pelo estudioso do futebol Ricardo Honório e visa abordar tudo que envolve o mundo da bola, focando, claro, no Coritiba. Adversários, tendências do futebol atual, táticas, mercado da bola, futebol internacional e tudo que estiver ligado ao tema você encontrará nesse espaço, que tem o objetivo de ser uma verdadeira "arquibancada virtual", onde o assunto é sempre ela: a bola.

O Autor

Ricardo Alexandre Honório Alves, mais conhecido como Ricardo Honório, 42 anos, funcionário público federal. Coxa-Branca desde 1975, tem como maior ídolo o craque Tostão, maior jogador que viu jogar com a camisa Coxa. Louco por futebol desde criança, tinha como hobby colecionar figurinhas e a Revista Placar, além da leitura diária de jornais esportivos. Com isso desenvolveu o gosto por acompanhar tudo que envolvia futebol e não apenas o Coritiba, o que o tornou Colunista do COXAnautas desde 2005, convidado pelo amigo Luiz Betenheuser, sendo o responsável pelas informações não só do Coritiba, como principalmente dos adversários do Verdão.

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