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Falando de Bola
No retorno à Série A depois de dois anos de ausência, a expectativa era clara: o Coritiba brigaria contra o rebaixamento desde a primeira rodada.
E a estreia parecia confirmar esse roteiro. Diante do Red Bull Bragantino, derrota por 1x0 e uma atuação que expôs as dificuldades naturais de quem volta à elite do futebol brasileiro. O sinal de alerta foi ligado cedo, e o torcedor coxa-branca já se preparava para mais uma temporada de sofrimento.
Mas o futebol, como quase sempre, guarda espaço para surpresas.
A virada sobre o Cruzeiro, no Mineirão, na segunda rodada, não apenas trouxe três pontos inesperados, ela revelou um time com identidade. Um Coritiba confortável jogando fora de casa, com linhas compactas, transições rápidas e um contra-ataque eficiente.
A partir dali, vieram outros resultados importantes longe do Couto Pereira. A histórica vitória em Itaquera e o fim da invencibilidade do Mirassol como mandante reforçaram essa característica: o Verdão sabe competir, e bem, quando não precisa propor o jogo.
O único ponto fora da curva foi o clássico. Uma atuação apática, abaixo de tudo que o time já havia mostrado, justamente em uma partida que mexe com o torcedor. Um tropeço que deixou marcas, mas que não apaga o desempenho consistente como visitante.
Se fora de casa o caminho parece claro, dentro do Couto ainda há um enigma a ser resolvido.
Em cinco jogos, apenas uma vitória. Um rendimento abaixo do esperado até mesmo para um time que começou o campeonato sendo tratado como coadjuvante. Jogando em casa, o Coritiba encontra um cenário completamente diferente: adversários mais fechados, menos espaço e a obrigação de propor o jogo.
E é aí que surgem as dificuldades.
Falta criatividade, falta agressividade em certos momentos e, principalmente, alternativas para furar defesas bem postadas. Evoluir nesse aspecto não é apenas desejável, é essencial para que o time tenha uma campanha segura.
Até aqui, em 10 jogos, o Verdão soma 15 pontos, um aproveitamento de 50%. Um número que, antes da bola rolar, seria visto como extremamente positivo. Mantido esse ritmo, o Coritiba terminaria o Brasileirão com cerca de 57 pontos, pontuação suficiente não só para garantir a permanência, mas também para sonhar com algo a mais.
Mas essa projeção passa, obrigatoriamente, pelo Couto Pereira.
Não é realista imaginar que o time seguirá conquistando vitórias importantes fora de casa com a mesma frequência. O equilíbrio de uma campanha sólida nasce, quase sempre, da força como mandante.
E há ainda outro ponto que não pode ser ignorado: o elenco.
Com a abertura da janela, os concorrentes tendem a se reforçar, elevando o nível de dificuldade da competição na segunda metade do campeonato.
O Coritiba, por sua vez, tem carências evidentes. A falta de um volante com mais consistência e de um centroavante que seja referência ofensiva já ficou exposta em diferentes momentos.
Se quiser transformar uma campanha surpreendente em uma trajetória segura, e quem sabe até ambiciosa, o clube precisa agir.
Porque até aqui, o Coritiba mostrou que pode competir.
Agora, precisa provar que consegue sustentar isso até o fim.
E, principalmente, fazer do Couto novamente um lugar onde o adversário entra sabendo que pontuar será uma missão difícil. É esse passo que pode tirar o Verdão da condição de surpresa e colocá-lo, de vez, como protagonista da própria história no campeonato.
Saudações Alviverdes!
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