
30
Falando de Bola
Aos poucos, as coisas vão voltando à normalidade no futebol paranaense. Após um período de anormalidade, o Coritiba vai retomando a sua soberania no cenário estadual.
A vitória no Atletiba, que ampliou para oito jogos a invencibilidade do Verdão sobre o rival, mostrou um time maduro, consciente do que precisava fazer em campo e seguro em cada decisão tomada durante os 90 minutos.
Depois de um início de maior pressão do adversário, o Coritiba rapidamente entendeu o jogo e a forma de atuação do outro lado. A partir daí, colocou a bola no chão, passou a atuar com rapidez nas transições e foi eficiente. O gol saiu em uma jogada de raça de Lavega, seguida de uma cabeçada linda de Lucas Ronier. E poderia ter sido mais: o Verdão ainda teve ao menos duas chances claras de matar o jogo. Enquanto isso, o adversário pouco produziu, a ponto de Pedro Morisco não precisar fazer uma única defesa durante toda a partida.
Sem atuações ruins individuais, o Coritiba teve destaques evidentes. Tinga fez uma partida impecável pela lateral direita, Tiago Cóser mostrou segurança e boa saída de bola, Lavega teve excelente movimentação e foi decisivo no lance do gol, e Lucas Ronier foi o melhor em campo, decidindo o clássico no alto de seus 1,63m, com uma cabeçada precisa e cheia de estilo.
Mas a vitória no clássico já indica que o Coritiba está pronto para a estreia no Brasileirão? Evidentemente que não. Até porque, sejamos francos, o adversário mostrou um nível técnico bastante baixo e, se não se reforçar, é sério candidato a brigar contra o rebaixamento.
Ainda assim, o Coritiba apresentou virtudes importantes: manteve a segurança defensiva que já era marca registrada do ano passado, mostrou uma saída de bola qualificada desde a defesa, apresentou transições rápidas do meio para o ataque, algo que não víamos em 2025, e conta agora com atacantes de maior qualidade técnica em relação à temporada anterior.
Há, contudo, pontos claros a evoluir. Falta maior participação ofensiva dos laterais, especialmente pelo lado esquerdo, posição que pede um reforço para assumir a titularidade. Será necessário encontrar um substituto para Josué que consiga segurar a bola e organizar o jogo quando preciso, além de melhorar o aproveitamento das chances criadas, e sigo entendendo que a chegada de um centroavante seria fundamental.
O time comandado por Fernando Seabra ainda tem muito a evoluir, mas já conquistou dois resultados importantes sob seu comando, o que traz tranquilidade e confiança para o início do trabalho.
Outro aspecto que merece destaque é a manutenção do bom ambiente interno, da seriedade e do comprometimento que marcaram o elenco em 2025. Esse fator será decisivo para a adaptação dos novos contratados, que chegam ao clube conscientes da responsabilidade que carregam.
O começo é, sim, animador. Mas é preciso manter os pés no chão. A Série A impõe um nível de exigência muito maior, e qualquer projeção mais concreta ainda seria precipitada. O Coritiba parece estar no caminho certo, o desafio é transformar boas impressões iniciais em constância ao longo da temporada.
Saudações Alviverdes!
A opinião dos colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
Cada colunista tem sua liberdade de expressão garantida e assinou um termo de uso desse espaço.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)