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Futebol: Razão x Emoção
Futebol: Razão x EmoçãoFernando Schumak

Você lembra do Coritiba?

- Coritiba?
- É o Coxa? Lembra?
- Não lembro cara, o que tem? Caiu?
- Não, nem subiu...
- Ué, mas não tinham vendido, não ia virar o Manchester das araucárias? O Tal do Justus lá não ia pôr grana?
- Sim, pôs, comprou, mas o que era ruim parece que ficou pior...
- Pois é eu só escuto falar do Coxa hoje quando acontece alguma briga pela cidade? Eu até já perdi o tesão de tirar sarro dos amigos Coxas? Aliás, estão bem sumidos, existem ainda torcedores Coxa?
- Existem! Na verdade, é só o que existe. Estão diminuindo, mas é só o que sobrou.
- E por que a torcida não faz algo?
- Agora não dá, venderam o clube. E venderam 90%, ou seja, a torcida hoje só tem o direito de pagar, e ir ao estádio ficar p*ta da cara.
- Que triste... Coxa já foi campeão brasileiro, não foi?
- Foi, no século passado, 1985..
- Meu caneco...
- Pois é, depois disso, só ladeira abaixo. Não ganha nada, não revela ninguém.. quem revela vende por miséria. O Coxa virou em nada...
- Ah mas tem o estádio, e tal...
- Todo zoado quebrado, nem CT tem mais na verdade, porque tudo agora é da empresa. O Coxa virou em nada.
- Pare, cara, você tá exagerando!
- Não estou, amigo. Hoje o Coxa não passa de um time qualquer a ser batido. Os adversários olham pro Coxa, e vêm três pontos, um alvo fácil. Os rivais olham e riem, não vêm nada. Apenas um fantasma..
- Fantasma tá forte né, o Operário, ainda tem chances de subir...
- Sim, o Fantasma tem chance de subir e o Coxa não, quer dizer... viramos em nada.
- Nada além de uma estatística de derrotas e fracassos. Um clube pagador de técnicos incompetentes... virou em nada..
- Ah, futebol é assim.. amanhã vira o fio.
- Esse fio tá virado há 40 anos, cara. Hoje eu temo realmente pelo nosso futuro. Hoje o Coxa tem mais chance de virar Portuguesa de São Paulo, Juventus, Matsubara, do que ser um clube minimamente respeitado... Eu te perguntei no início se você lembrava do Coritiba, lembra?
- Lembro.
- Pois é. Hoje é o que me resta como torcedor. Lembrar do Coritiba, do nosso Coritiba. Esse que está aí não é o meu. É o Coxa da Treecorp, da Série C, que fede à derrota. Infelizmente eu lembro do Coritiba. Mas, de coração, só queria esquecer.

Sobre o autor

Fernando Schumak
Ao chegar em Curitiba em 1973, o migrante Otacílio Pereira Melo, oriundo de Guanambi-BA, poderia ter escolhido qualquer time para torcer. Mas o Campeão Paranaense e do torneio do Povo daquele ano, que tinha em seu elenco Aladim, Jairo, Zé Roberto, além de capitão Hidalgo, o escolheu primeiro. Nascia uma história de amor.

E por conta desse amor, graças aos deuses do futebol o autor também não teve escolha. Sua primeira foto, logo na saída da maternidade, é com um “TIP TOP” do Verdão. O Título de campeão brasileiro veio quando ainda se quer podia andar, mas ao por pela primeira vez os pezinhos no Couto, entendeu o porquê de toda aquela paixão e respeito de seu pai pelo Coritiba.

E assim Fernando Schumak Melo cresceu, comendo pipoca e descascando amendoim – velhos tempos - no Couto Pereira, aprendendo a entender e amar o Coritiba e o mais apaixonante esporte de todos: o futebol.

Hoje, o advogado formado pela Direito de Curitiba, especialista em processo civil pela PUCPR, mestrando em Ci?ncia Pol?tica pela UFPR, sócio fundador do escritório Schumak & Luz, músico, guitarrista amante do rock’n’roll, marido da Camila, filho da Rosely, continua e continuará ao lado do Glorioso, seguindo sempre os ensinamentos do velho migrante: “Torça em primeiro lugar, depois reclame!”

Sobre o blog

O presente Blog é feito de textos, opiniões e debates frutos da luta constante entre a razão e a emoção. Razão que tenta explicar e compreender o futebol com argumentos ponderados, estatísticos, lógicos; enquanto a emoção simplesmente quer gritar, rir e pular nas vitórias, chorar nas derrotas, sem qualquer preocupação com o motivo, o contexto, ou a justiça do resultado. Que vê qualquer jogo que passa na T.V., que assiste todos os programas esportivos, que ama o futebol e ainda mais o Verdão, que suporta um turbilhão de emoções por conta do que alguns consideram apenas um simples jogo e ainda consegue justificar racionalmente este sofrimento: este Blog é pra Você!
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