
Histórias do Futebol
Neste último domingo tive que ouvir a transmissão do atleTiba pela Internet. Como não pude viajar a Curitiba e sem transmissão pela televisão, graças ao grande ditador atleticano, passei duas horas ao lado do meu IPhone. Fazia muito tempo que isto não acontecia. Já não estou mais acostumado a ficar imaginando as jogadas no campo através da visão de um narrador. Fora as interrupções causadas pela sobrecarga da Internet que, por incrível que pareça, sempre acontecem em momentos decisivos, num ataque perigoso do nosso coxa ou num contra ataque do adversário. Temos que esperar aflitos o retorno da transmissão para saber como terminou a jogada. Tive que proibir os filhos e a esposa de baixarem vídeos do YouTube ou do Facebook.
Ainda bem que vencemos a partida. Valeu o esforço. Um primeiro tempo primoroso e um segundo que deu para o gasto.
Tudo isto me lembrou dos tempos do radinho de pilha. Na década de 80, quando eu também morava em Londrina, era um sofrimento acompanhar os jogos do Coritiba. Não existiam as TVs pagas e as abertas só transmitiam os jogos de São Paulo. As rádios londrinenses também se restringiam aos jogos locais ou paulistas. Restava tentar escutar a partida através de alguma rádio de Curitiba. Era um sufoco. Ficava andando pelo apartamento até encontrar o melhor local para sintonizar a emissora. Quando conseguia, protegia o velho e fiel radinho com unhas e dentes. Ninguém podia movimentar-se, abrir ou fechar janelas e portas ou, principalmente, tocar no aparelho. Era comum perder a sintonia e lá íamos nós, correndo, procurando outro local para voltar a obter o sinal. Quantas vezes quis jogar o rádio amigo na parede, no momento em que o locutor, aos gritos, dizia: Entrou na área, vai marcar e Shhhhhhhh. Ficava apenas o chiado característico da perda do sinal. Quando voltava, algumas vezes o placar já havia sido alterado, e você ficava sem saber o que tinha acontecido.
Não dá para reclamar da internet. As paradas são poucas comparadas à era do rádio.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)