
Histórias do Futebol
Há muito tempo a base do Coritiba não revela grandes jogadores. De craque mesmo, só o Alex. Poucos conseguiram notoriedade como Rafinha (lateral direito do Bayern de Munique, que já veio pronto de Londrina) e Adriano (lateral esquerdo do Barcelona). Das novas safras, poucos conseguiram a camisa de titular no próprio Coxa. Podemos citar o Willian, Pedro Ken (hoje no Vasco), Keirrison, Lucas Claro, Marlos (no Metalist Kharkiv da Ucrânia), Ricardinho (lateral esquerdo do Malmö da Suécia), Renatinho (no Japão ) e Marcel (no Criciúma). Peço desculpa se esqueci de algum nome.
É muito pouco para o tamanho do Coritiba. Nestes últimos anos surgiram algumas promessa que não passaram de .... promessas.
Assisti o jogo contra o Internacional pela Copa do Brasil das categorias sub-20. O Coxa foi tão fraco quanto a equipe principal na partida contra o Galo. Também levou de 3 X 0. O único destaque do nosso time foi o Thiago Primão.
Mas onde está o problema? Será que nenhum menino bom de bola que jogar na base do Coritiba?
Vou citar apenas dois dos principais problemas:
1. Os meninos da base tem poucas chances no time principal. Com as contratações de peso, mais na folha de pagamento do que dentro de campo, os garotos ficam relegados ao segundo plano. Tem poucas chances de mostrar o seu futebol e quando entram em campo, nos minutos finais das partidas, o time já tem um placar adverso, fica difícil de jogar. Ainda tem a alta rotatividade do banco de reservas. Parece que a cada jogo, alguns são sorteados para ficar a disposição do técnico. Cada jogo é uma surpresa.
2. A seleção da garotada há muito tempo está nas mãos dos empresários. Eles estão presentes nas peneiradas para influenciar na escolha. Os meninos sem empresários tem muito pouca chances.
Histórias do futebol:
No final da década de 90, levei o meu filho para participar de uma peneirada. Os garotos se inscreviam no clube, conforme a posição em que jogavam. No dia da tão sonhada apresentação, os times eram montados conforme a ordem de inscrição e a posição escolhida. Foram montadas 8 equipes, ou seja, haviam 88 garotos na faixa de 16 e 17 anos. Punha-se então duas equipes em campo, que tinham 15 minutos para jogar. É simplesmente impossível um menino mostrar o seu futebol naquelas condições. Ninguém conhecia ninguém. Era só correria onde cada um tentava jogar individualmente. Na platéia poucos pais e três empresários. No final, apenas 3 meninos foram selecionados. Justamente os 3 que compareceram com seus empresários.
Naquele dia tive, com dor no coração, de tirar a carreira de futebol da cabeça do meu filho. Mostrei a ele que era um jogo de cartas marcadas e, que sem elas, ele não teria chance de realizar o seu sonho de jogar no Coritiba. Saiu dali cabisbaixo, se dedicou aos estudos e hoje é formado em Administração pela Universidade Federal.
Quantos meninos bom de bola foram desperdiçados naquele dia? Quantos continuam sem chance ainda hoje?
É para pensar.
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