
Histórias do Futebol
Quando tudo parece perdido e de repente encontramos uma solução milagrosa, dizemos: - Tiramos uma carta da manga.
Esta situação ocorreu no Campeonato Paranaense de 1.978, quando a diretoria coxa-branca contratou o goleiro Manga. Houveram muitas críticas pois se dizia que este pernambucano, que já contava com 41 anos de idade, estava no fim da carreira.
Haílton Corrêa de Arruda, o Manga, veio para o Coritiba depois de ter jogado no Sport Recife (1.955 a 1.958), Botafogo (1.959 a 1.968), Seleção Brasileira (1.966), Nacional do Uruguai (1.969 a 1.973), Internacional de Porto Alegre (1.974 a 1.976) e Operário do Mato Grosso do Sul(1.977). Ainda em 1.978, o Coritiba vendeu o seu passe, com bom lucro, ao Grêmio de Porto Alegre, onde virou ídolo e ficou até 1.979. Encerrou a sua carreira de goleiro no Barcelona de Guayaquil do Equador. Acumulou muitos títulos em todas as equipes em que jogou.
Em 1.978 tinhamos duas estrelas na equipe: o próprio Manga e o também veterano Pedro Rocha. Neste ano, o Campeonato Paranaense foi decidido entre Coritiba e Atético, numa sequência de três jogos. Foram três partidas e uma prorrogação sem sem gols e a final ficou para a cobrança de pênaltis.
No primeiro jogo, o Atlético dominou, pressionou muito o alviverde, e só conseguimos um empate graças a grande atuação do Manga. O segundo jogo, mais equilibrado, também ficou no zero a zero. No terceiro jogo, o Coritiba foi um pouco melhor mas não o necessário para vencer a partida ou a prorrogação. A decisão foi para a penalidades máximas.
Foi neste momento que o grande Manga mostrou porque tinha sido contratado. Mais de 50.000 torcedores lotavam o Couto Pereira, sendo a grande maioria coxa-branca. A primeira penalidade batida pelo atleticanos o Manga quase pegou, deixando os próximos cobradores nervosos. O resultado deste nervosismo foi uma penalidade defendida pelo Manga e as outras chutadas para fora. Vencemos por 4 X 1 nos pênaltis. Ganhamos o campeonato.
Foi um Manga tirado da Manga.
Algumas histórias (ou lendas):
1. O também lendário João Saldanha, crônista esportivo e torcedor ferrenho do Botafogo, criticou o Manga após o seu time ter perdido para o Bangu. O goleiro disse que iria acertar as contas com o João. Na sequência, houve uma festa no Botafogo, onde os dois iriam se encontrar. João Saldanha, sabendo da ameaça, foi armado. Quando na festa, o cronista viu aquele homem imenso, com duas mãos que pareciam duas raquetes de tênis, vindo na sua direção, sacou o revolver e deu um tiro para o chão. Manga, que já conhecia o temperamental Saldanha, saiu correndo e saltou um muro altíssimo escapando do confronto.
2. Os vizinhos de apartamento do Manga, quando este morava em Curitiba, ficaram felizes quando ele foi embora para Porto Alegre. O problema é que quando o goleiro estava em casa, ficava o tempo todo jogando uma bola de tenis na parede, para treinar os seus reflexos. Ninguém mais aguentava o barulho irritante da bolinha batendo na parede ou caindo no chão.
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