Talentos perdidos
Ao ouvir um dos pós jogos contra o Cascavel do COXAnautas, o Honório, Schumak e o Marcelo comentavam sobre uma grande questão: Por que não temos mais jogadores como antigamente? Por coincidência a mesma pergunta surgiu num café entre a minha família, na mesma semana. Tio Rodrigo e Tio Ricardo ao desabafar sobre o futebol moderno acabaram se perguntando a mesma coisa, como o Coxa deixou de formar jogadores, craques ou times encaixados para formar atletas que correm rápido, que saltam alto, mas que não chutam no gol.
A verdade é que há duas décadas o Coritiba vem sofrendo com os mesmos problemas, um exemplo é o fato de não formar mais jogadores e sim atletas. Eu explico; antigamente, sem tanta tecnologia disponível, as pessoas brincavam mais nas ruas, corredores, pátios de colégios, campos de brita e quadras de areia, disputando jogos de futebol com os pés descalços, bolas de meia, latinha, ou qualquer material que se aproximasse do formato de uma bola, o ponto é que todos inventavam um meio de driblar o seu adversário e desenvolver suas habilidades, jogavam em todas as posições não importando se eram canhotos ou destros. Os olheiros trabalhavam na percepção da capacidade motora e visão de jogo, muitas vezes percorrendo mais o interior do estado em busca dessas pessoas, conseguindo construir habilidades e talentos, com os que se esforçavam aproveitando as oportunidades que surgiam.
Atualmente, o mercado encontra-se saturado de atletas e não de jogadores, às vezes a peneira pode escolher por categorias quantitativas como altura e potência e não qualitativas como a afinidade com a bola e leitura de posicionamento no campo. Outro fator, que eu concordei com a live e com o Rodrigo, é de que os pais possuem mais recursos financeiros e pagam para colocar as crianças em escolinhas de futebol, que desenvolvem capacidades físicas e motoras, mas falham em desenvolver habilidades inerentes ao futebol. Hoje eles correm em zigzag, passam por cones e tocam a bola de ladinho, antigamente jogavam com pessoas mais velhas sem categoria de idade, tinham que solucionar problemas e enfrentavam o marcador, sabendo como se proteger até de divididas e trombadas corpo a corpo. Então ficamos nesse processo de atletas e não jogadores, Ricardo comentou que os atletas são parabrisas, correm para um lado e voltam, fazem um arco em campo correndo e voltando para a sua posição, tocam a bola sem produtividade apenas para diminuir a chance de serem culpados por um erro. Tenho pena dessa nova geração (e eu estou inclusa nela), onde se perderam os dribles, pedaladas, chapéus e tantos outros recursos do jogo. Posso dizer que os “atletas” estão na moda e a moda é toquinho, passes curtos, chuveirinhos na área e correria sem dribles e produtividade.
Eu espero, num saudosismo latente, que um dia o nível de futebol volte a ser como antigamente, que voltem com os jogadores profissionais, que amam e compreendem o futebol, aqueles que dão uma verdadeira esperança de mudança para o clube. Como disse uma vez o craque Alex, num vídeo preparando o seu assado, o jogador profissional é quem mexe com as emoções dos outros, aquele jogador que faz você sair de casa para vê-lo jogar, de tão bom, que possuem o poder de transformar uma partida em um espetáculo.
Sobre o autor
O Blog “Tá Ligado!” traz assuntos diversos sobre o Coritiba de uma perspectiva de uma torcedora. Essa afinidade com o Coritiba me inspirou a mergulhar mais fundo no mundo do futebol e a buscar respostas para algumas das muitas perguntas que surgem quando se é uma torcedora apaixonada. Espero transmitir minhas reflexões naquela atmosfera “pré” e “pós-jogo”, quando todo torcedor se transforma em comentarista e surgem especialistas em futebol e analistas táticos com novas opiniões e soluções para o clube a cada “gole de cerveja”.
Sobre o blog
Sou torcedora da terceira geração de coxas-brancas da minha família, tenho sangue verde e branco graças ao meu pai que introduziu o futebol a toda família. Embora tenha me formado em Biotecnologia, meu hobby é estar em contato com a natureza e acompanhar o meu verdão. O Coritiba é mais do que um time de futebol, é parte da minha rotina, além de desempenhar um papel importante por ser uma ponte que me mantém próxima do meu pai e da nossa família.
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