
Entrevista coletiva
Por: João Carlos Sihvenger
A entrevista coletiva iniciou com o técnico Guto Ferreira falando sobre os aspectos gerais do jogo de hoje, quando o Coxa venceu o Avaí por 1 x 0. Disse o treinador: “Fizemos um primeiro tempo em que nós não fomos felizes na hora de definir a jogada, mas foi um primeiro tempo em que o Avaí praticamente não chutou no nosso gol, aliás, no jogo todo, depois que marcamos o gol eles tiveram duas chances de com duas boas defesas do Muralha, antes disso eles finalizaram uma bola que estava em impedimento que foi travada, e antes não chutaram em gol, o nosso gol saiu aos 32 minutos, então, primeiro tempo inteiro e o segundo tempo até os 32 minutos, eles não conseguiram finalizar. Esse é o primeiro grande mérito da equipe, a defesa foi coesa, a equipe não deixou de agredir. Temos ainda muita coisa para ajustar, principalmente no último terço do campo, nós chegamos bem até ali, mas faltou um pouco mais de refino na definição das jogadas. No primeiro tempo chutamos duas bolas numa condição boa, mas em cima do goleiro, se tirasse um pouquinho poderia ter feito o gol logo no primeiro tempo, mas tem coisas que acontecem do jeito que tem que acontecer. Aconteceu o gol num bom momento. E porque que a equipe afastou e passou a jogar em contra-ataque? Eram quatro jogos sem vencer, com 1 x 0 dentro de casa não dá para correr riscos, sendo que vocês perceberam o nível de desgaste, porque não é o desgaste físico, se está bem condicionado ou não, existia uma pressão emocional muito grande e essa pressão gera um desgaste muito grande, tanto é que o jogo acabou e vários jogadores se jogaram e foram no limite, mas isso que é bom, eles sabiam que precisava e se entregaram e quando o torcedor conseguiu o que queria, e em outros momentos também, nos momentos de maior dificuldade, veio junto e sempre que houver essa sintonia entre torcida e equipe vai dar no que deu. A torcida do Coritiba é cativante, é muito forte, empurra mesmo, e nós mais do que nunca, jogando bem ou mal, precisamos dela do nosso lado, porque aí nós vamos nos superando e através da superação a gente pode vencer os jogos, mesmo naqueles jogos que estão muito difíceis. Nós estávamos jogando contra um time da ZR e o nosso time também nessa ZR, mas é a carga do momento, a carga de quatro jogos e quatro derrotas no segundo turno, é a carga de ter entrado na ZR, enfim, tem muita coisa que trouxe este momento, mas a equipe conseguiu dar este passo muito importante.”
Guto explicou o porquê das nove alterações no time em relação ao último jogo, e quais seriam os próximos passos nesse sentido: “No jogo do Fluminense nós tínhamos várias ausências, por cartão e lesão, por exemplo, eu não levei o Porfírio porque fazia quatro dias que ele tinha saído do departamento médico, e hoje ficou evidente, com dez dias de trabalho ele fez uma grande partida defensivamente e acrescentou algumas coisas muito importantes ofensivamente, mas não aguentou ir até o fim, e não só ele, o John Chancellor que estreou, se apresentou e fazia uma semana que estava treinando, só que ele vinha treinando sozinho antes de se apresentar, então são coisas que às vezes somos cobrados mas há necessidade de entender o processo, se não, acontece o que aconteceu com o Boschila e outros jogadores e mexe de duas maneiras na estrutura da equipe, você tira a confiança daquele que era o momento de entrar para colocar um que não vai te dar a resposta porque não está pronto e acaba perdendo ele não só por um jogo mas por vários jogos e quando voltar, volta pior porque ficou mais tempo parado do que estava, então com tudo isso nós temos que ter muita coerência na hora de estruturar a equipe, e valorizar cada jogador que vai para dentro do campo, e é desta maneira que tentamos trabalhar, dando moral para todos. Hoje quase que o Pablo Garcia foi para o campo, mas são processos, o importante é que o primeiro passo foi dado, não conseguimos no Rio, conseguimos hoje, temos mais quatorze finais, não vai ser fácil, mas vamos brigar como brigamos muito hoje e brigar cada vez mais e no final vamos conseguir.”
O técnico Coxa foi perguntado sobre como foi o trabalho na parte emocional dos jogadores durante a semana, para que conseguissem esta vitória no Couto. Respondeu ele: “A primeira coisa foi mostrar quem é o grupo do Coritiba, o grupo do Coritiba tem jogadores que já foram campeões brasileiros, jogadores com título de Libertadores, tem outros que estão aproveitando a oportunidade para crescer na carreira, jogador de seleção como é o John, enfim, tem muita gente boa e nós não podemos cair na vala comum de que todos são ruins pelo momento que estão vivendo, temos que mostrar para eles que mais do que nunca é preciso elevar a auto estima, é preciso coragem, a vitória hoje não caiu do céu, a paixão faz com que a gente não enxergue este lado, mas nós que estamos trabalhando do outro lado temos que respeitar a paixão, mas não podemos entrar no ritmo da paixão, temos que entrar no ritmo da razão porque é a razão que vai fazer o resultado acontecer. Além de melhorar a autoestima, de valorizar, de organizar o modelo de jogo que queremos, nós temos um psicólogo dentro do clube, colocamos eles para fazer dinâmica de grupo, o Willian por exemplo, então estamos colocando todas as ferramentas que temos, da melhor maneira possível para trabalhar, e todos num discurso só, “nós vamos conseguir”, e isso não é o Guto, quando o Guto foi contratado, isso já veio de uma direção séria que sabe o que quer, e sabe os processos que tem que atingir e sabe que em todo o processo administrativo tem momentos de erros e acertos, mas sempre querendo acertar e corrigindo o rumo quando as coisas não estão acontecendo do jeito que teriam que acontecer. Mais do que nunca, este momento é de unir não de dividir, e se nós conseguirmos unir, o Coxa vai ficar muito forte, além de se manter esse ano, pode conseguir coisas um pouco maiores e pode vir muito mais forte para a próxima temporada.”
Guto também foi questionado sobre como trabalha na questão dos próximos jogos, se trabalha com mini metas, como esses cinco jogos que serão essenciais para o futuro do Coxa e respondeu: “É jogo a jogo. Se entro com uma mini meta, cada vez que não cumpro aquele momento, achando que aquele vai ser eu me desestimulo, agora se eu não conseguir cumprir, o outro tem que vir mais forte, eu tenho que me dedicar mais, e quem disse que eu não posso ganhar o que seria mais difícil e por algum motivo escorregar no outro teoricamente mais fácil. O importante é o final da festa e não o meio da festa, o meio da festa conduz, mas não decide.”
Também houve uma questão sobre a carga emocional dos jogadores, se isto pode ter atrapalhado no jogo hoje, pois foram algumas chances perdidas, inclusive com o Manga perdendo uma chance muito boa, e depois saiu vaiado. Guto Ferreira respondeu assim: “Primeiro preciso dizer que o Manga é um jogador importantíssimo dentro da estrutura da equipe pelas características que tem, um jogador de muita potência, de bom nível de definição e mais do que nunca, é um jogador que se entrega muito e tenho certeza de que, o que ele não fez hoje ele vai fazer melhor nos próximos. Nós conseguimos mandar no jogo, essa é a minha leitura e volto a falar nos processos, teve carga emocional, mas também teve o estágio que nós estamos. Se estávamos tomando gol todo jogo, para termos um equilíbrio o que nós temos que trabalhar primeiro? A defesa. Não trabalhamos só a defesa, trabalhamos a manutenção de posse e alguma situação de conclusão no último terço do campo, só que dentro do processo o trabalho de conclusão passa pelo nível de confiança, mas passa também pelo aprimoramento, como uma lapidação que nós ainda não fizemos pois com 10 dias é impossível, e pode ser mais 20 dias e eles ainda não atingirem o estágio. São processos porque a cada jogo eles trabalham com um tipo de pressão interna e à medida que as coisas vão acontecendo, eles vão surpreendendo, porque você não cria expectativa e ele ultrapassa a expectativa porque você não criou a expectativa, de repente a sua expectativa é mais baixa e ele surpreende fazendo alguma coisa melhor.”
O treinador Coxa-Branca falou também sobre como vem trabalhando o sistema defensivo da equipe que hoje não tomou gol, disse ele: “Nós procuramos ajustar alguns modelos. Trabalhamos encima de dois modelos até o momento, de marcação e de jogo, o movimento inicialmente com duas linhas de quatro mais dois, mas também em alguns momentos um 5-4-1, ou fazer como fizemos no segundo tempo contra o Fluminense, 4-5-1, porque aí é só ajuste, e para encaixar, além de toda a movimentação que existe, que tem que ser treinada e repetida, para cada movimento do adversário, se alguém for batido quem vem para a interceptação, quem vai para a cobertura, o que foi batido, onde recupera, enfim tudo são processos e não é matemático, pois na hora do jogo, ele pode não se situar o suficiente dentro de campo para fazer a leitura, então demanda repetições e isso demanda desgaste físico e tempo que é o que até agora nós não tivemos. Se desgastarmos demais, nós não fazemos tudo o que temos necessidade de fazer, tem muita coisa que ficou para trás. Conforme vai ganhando, vai elevando o nível de confiança, elevando a autoestima, vai acreditando cada vez mais no trabalho e aí a absorção do conhecimento vai sendo mais acelerada. O bom é que eles estão muito focados, por isso conseguimos fazer o que fizemos hoje. O Avaí praticamente só entrou com bola cruzada, a bola que entrou de passe foi a bola que estava impedido, então isso é movimentação de defesa, mas tem que ter movimentação de posse de bola, já tivemos saída de bola, não rifamos a bola, tivemos posicionamento de primeira e segunda bola, precisamos aperfeiçoar muito ainda a transição ofensiva, a transição defensiva foi razoável, tem muita coisa para trabalhar e é o tempo que vai fazer esse processo. Fui obrigado a colocar o Bernardo que trabalha de primeiro, mas trabalhou a semana toda de segundo que é diferente, e a característica do Bernardo é diferente do William, a experiência dele é diferente do William e com o William eles não estavam conseguindo as jogadas por dentro, quando o Bernardo entrou, eles começaram a fazer, aí nós reposicionamos, o Bernardo conseguiu entender, o time se estabilizou, então é o que falo, é processo, você erra para acertar, e se errarmos no treino é melhor do que errar no jogo.”
Em relação ao posicionamento tático do Egídio e do Fabricio Daniel, Guto explicou: “O Fabrício é um jogador que tem muita qualidade e é difícil de ser marcado quando está num ritmo forte, só que ele ainda não está no ritmo dele, eu acredito que o forte dele é se ele jogar atrás do centroavante, mas ele pode jogar pelo lado direito e pelo esquerdo, como ele fez hoje e o gol dele saiu vindo do lado direito, é um jogador de definição qualificada sempre que ele consegue estar numa condição de raciocinar a finalização. Houve um lance no primeiro tempo que o “timing” de finalização foi muito rápido, aí ele isolou, não encaixou o corpo, no segundo ele conduziu, encaixou o corpo e fez o gol, esse é o jogo dele.
O Egídio é um jogador muito técnico, um jogador que a bola não pega fogo no pé dele, um jogador que tem ultrapassagens muito boas, faz a equipe jogar, e eu tendo o Egídio eu posso não ter dois caras muito agudos, mas acabo tendo porque o Adrian hoje era um jogador de velocidade, e o Alef era o outro e o Fabrício não é lento, ele também tem boa estocada, não é rápido como o Warley nem como o Adrian, mas também tem boa velocidade e o Egídio é um jogador mais de carteado, quando chegamos no campo de ataque para ele cartear e para que possamos ter as metidas de bola, as entradas, então ele é um meia pelo lado, ele facilita o jogo do Fabrício também e faz com que o Fabrício possa ser atrás do centroavante um segundo atacante, na hora que a equipe roda ele acaba virando um meia e o Fabrício acaba virando um atacante, então são processos de movimentação que acabam fazendo com que a equipe tenha repertório e a busca é entrosar cada vez mais e depois tem outros jogadores que vão crescendo, cada momento do jogo é um momento. Às vezes precisa ser mais agudo e agressivo e hoje colocamos o Thonny para buscar essa agressividade, o Thonny tem um jogo central ainda mais agressivo que o Fabrício, mas de menos definição, menos precisão de definição, o Fabrício define melhor, o Thonny cria melhor, tem uma visão de ponto futuro, de enfiada de bola melhor, mas é a característica de cada um, quando conseguimos juntar tudo fazemos um Coritiba forte.
Houve um momento do jogo em que o Pablo Garcia estava para entrar, o Porfírio se machuca e o Fabrício fez o gol, e sobre esse momento Guto Ferreira disse: “Nós até brincamos no vestiário, falamos que quem ganhou o jogo foi o Porfírio, porque sairiam os dois, o Fabricio estava desgastado, quando o Porfírio sente, nós fomos obrigados a decidir entre o Adrian e o Fabrício aquele que suportaria ir até o fim, mas com uma condição de poder ter lances de definição, aí naquela hora entra a minutagem, o Adrian estava com minutagem menor do que o Fabrício, então o Fabrício suportaria ir até o fim mais do que o Adrian, aí nós colocamos o Thonny de centroavante e mantivemos o Fabrício e também colocamos o Rafael que entrou muito bem na lateral.”
Por último, Guto Ferreira falou sobre a expectativa para o próximo jogo fora do Couto contra o América visto que o Coritiba tem a pior campanha fora de casa e ainda não venceu: “Já temos algumas coisas observadas do América, vamos observar muito bem amanhã, temos ideias, mas segunda feira nós começamos a desenvolver essas ideias e no final de semana vamos colocar em prática o que trabalhamos na semana toda. O que temos que fazer é acreditar que podemos fazer melhor do que temos feito, e sempre jogar para ganhar, a estratégia que vamos ter pode ser diferente de um jogo para outro, mas a intenção de vencer não pode ser diferente, mesmo com estratégias diferentes a intenção é sempre vencer.”
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)