
Time indisciplinado
Por: Ricardo Honório
O Coritiba vive uma contradição preocupante neste início de Brasileirão. Apesar de figurar entre as equipes que menos comete faltas, com média de 11 por jogo, o time alviverde é, até aqui, o que mais teve jogadores expulsos na competição: seis cartões vermelhos em 14 partidas, sendo três ainda no primeiro tempo.
A sequência começou logo na estreia, contra o Red Bull Bragantino, quando o meia Josué foi expulso de forma direta ao impedir uma clara chance de gol do adversário, sendo o último homem. No clássico Atletiba, o zagueiro Maicon recebeu o vermelho já nos acréscimos após acertar o adversário com o braço em uma disputa dentro da área.
Após três jogos sem expulsões, o Coritiba voltou a apresentar problemas disciplinares e engatou uma sequência negativa, com ao menos um jogador expulso em três partidas consecutivas.
Contra o Atlético-MG, o atacante Renato Marques se envolveu em uma confusão com o lateral Renan Lodi e acabou expulso nos minutos finais. Na rodada seguinte, diante do Grêmio, o cenário foi ainda pior: dois jogadores deixaram o campo mais cedo. No primeiro tempo, Bruno Melo acertou o adversário no tendão de Aquiles e recebeu o vermelho direto. Já no fim do jogo, com o time em desvantagem, Jacy também foi expulso após uma entrada forte.
No compromisso mais recente, contra o Vitória, o zagueiro Tiago Cóser falhou e precisou parar o adversário com falta, sendo o último homem. Resultado: cartão vermelho e mais prejuízo, já que o lance originou o gol adversário em cobrança de falta.
As expulsões, além de comprometerem diretamente o desempenho em campo, ajudam a explicar o momento instável da equipe. Nos últimos sete jogos pelo Brasileirão, o Coritiba conquistou apenas uma vitória, diante do Atlético-MG, no Couto Pereira. No período, foram três derrotas e três empates. Se incluído o empate contra o Santos pela Copa do Brasil, o recorte se amplia para oito partidas com apenas um triunfo.
Mesmo com o baixo aproveitamento, o impacto na tabela ainda não foi tão brusco. O Coritiba caiu apenas uma posição após a derrota para o Vitória e ocupa atualmente a oitava colocação, beneficiado também por resultados paralelos. No entanto, o sinal de alerta está ligado: a distância para a zona de rebaixamento caiu para apenas quatro pontos, e a margem de erro vem diminuindo rodada após rodada.
Mais do que corrigir falhas pontuais, o momento exige uma resposta coletiva. As expulsões deixam de ser casos isolados e passam a indicar um problema recorrente, seja de tomada de decisão, controle emocional ou organização em campo. Cabe ao técnico Fernando Seabra não apenas ajustar a equipe tecnicamente, mas também resgatar o equilíbrio necessário para evitar novos prejuízos.
Se não houver uma mudança rápida de postura, o que hoje é um incômodo pode se transformar em um problema ainda maior ao longo da competição. O Coritiba precisa reagir, e com urgência, para não ver uma temporada que começou equilibrada se complicar perigosamente.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)