
Entrevista coletiva
Por: João Carlos Sihvenger
Quais os caminhos que explorou aqui, para um time desfalcado conseguir fazer um primeiro tempo daquele, conseguindo um resultado muito importante? “O grande desafio foi mostrar ao nosso grupo que existia equilíbrio entre as equipes, e que tínhamos condição de conseguir a vitória. No jogo anterior, o Santos fez um gol de bola parada e outro de fora da área, hoje acho que eles criaram mais chances do que aquele jogo. Mostramos aos jogadores que em outros jogos já tínhamos conseguido e isso deu a confiança necessária para competir e vencer. Havia uma atmosfera no ar de que o Coritiba era um mero figurante, que tinha todo um circo armado, mas não vestimos o nariz de palhaço para participar desse circo, entramos muito determinados a lutar pelo protagonismo e não aceitar a situação de figurante e assim vencemos”.
Qual a importância de vencer o Santos aqui sem ter a defesa vazada? “Faz parte daquilo que buscamos construir como identidade, uma equipe que se defende coletivamente. O futebol depende da eficácia, veja que no último jogo o Santos chegou pouco e fez a vantagem de 2 x 0, hoje quem foi eficaz fomos nós. Hoje fomos muito felizes em lances de definição e impedimos a conversão deles”.
O Santos hoje teve muitas dificuldades pelos lados do campo, principalmente pelo lado do Bruno Melo e do Moledo. Você tirou essa lição do jogo de quarta-feira? “O Santos é muito forte no jogo associativo, muitas vezes tira demais os zagueiros da área do bloco baixo, então no primeiro jogo nos preocupamos demais em cobrir as saídas dos nossos zagueiros e abrimos o meio de campo. Então estabelecemos que nossa prioridade seria diminuir essa capacidade de associação de jogo do Santos por dentro do nosso bloco baixo, para que tivéssemos mais segurança defensiva, aí colocamos os jogadores que entenderam isso e nossos dois volantes fizeram um grande primeiro tempo. O segundo tempo acabou sendo muito truncado, e nos momentos que o Santos usou essa amplitude, fizemos as substituições, voltamos a ter uma linha de cinco e voltamos a ter equilíbrio”.
Qual a importância desse resultado na questão da confiança dos jogadores e sua também, pois foi comemorar com os jogadores e a torcida depois do jogo? “A gente está se desdobrando, se entregando e fazendo tudo o que podemos, é muito duro não ter o resultado, e nosso grupo merecia um resultado como esse. Temos que valorizar o trabalho dos jogadores, que depois de uma eliminação tiveram a confiança para vencer. Quanto mais tempo convivemos com o grupo, vamos conhecendo melhor aquilo que temos como solução para cada circunstância. Ficamos muito chateados quando tomamos o gol do Internacional faltando 20 segundos, mas sabemos o campeonato que estamos jogando, e aqueles dois pontos que perdemos no Couto, recuperamos aqui”.
Qual a importância dessa gordura que o Coritiba fez nesse primeiro turno, sempre estando entre a 6ª e 7ª colocação na tabela? “Entendo que não há gordura, o campeonato está muito aberto, as distâncias são muito curtas no meio da tabela. Gordura vai ter quando chegarmos aos 45 pontos e tivermos ainda muitos jogos para jogar, aí poder buscar algo mais na temporada. Estamos encarando cada partida com muita seriedade”.
Pode comentar sobre a entrada do David, garoto de 18 anos, você acredita que ele pode ter mais minutagem? “O importante nesse momento é ele entrar e participar, existe um valor simbólico nisso, como foi com o Taverna no jogo anterior. Hoje não pudemos usar o Chermont, o Taverna entrou e fez um grande jogo, só saiu porque estava com amarelo, então o jogador jovem vai ter oportunidade à medida que o time precisar. Hoje o time precisou do Taverna e entrou com naturalidade e confiança. Esse recado vale para o David, para que siga trabalhando e não esmoreça. Não vamos forçar uma situação, mas hoje tínhamos três pontos consolidados, e dentro das circunstâncias do jogo ele entrou, puxou um contra-ataque, situação que gerou uma bola parada para nós, e o saldo é positivo, mesmo que tenha jogado pouco tempo”.
Pode falar um pouco mais do Taverna, que tem características boas defendendo e sai para o ataque no apoio, em relação ao Tinga e o Chermont? “É um jogador muito forte na marcação, bastante rápido, e bastante agudo em situações de transição. Tem uma cultura tática boa, sabe jogar defendendo, rodando linha e sendo agressivo. É muito competitivo e de uma alta taxa de trabalho do dia a dia e assim vai conseguir atingir níveis maiores”.
Esses garotos da base, que tiveram minutos no estadual, fizeram com que você tivesse mais confiança neles? Outro ponto, a torcida hoje aqui, que mais uma vez fez um show? “Nossa torcida tem uma energia muito boa, apoia, e empurra muito, é muito bom trabalhar num cube com uma torcida assim. Foi muito bom compartilhar com a alegria deles aqui no fim do jogo. Quanto à base, o importante são os treinadores da formação, as pessoas que trabalham nos processos metodológicos e a integração com o profissional. O grande troféu da base não é quando ganha uma competição de base, mas sim é o que a base conquistou hoje, quando um jogador, por necessidade teve que jogar num jogo importante e deu conta, esse é o maior troféu, os parabéns para os envolvidos nas nossas categorias de base”
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)