
Entrevista coletiva
Por: João Carlos Sihvenger
Avaliação do jogo, o desempenho do Coritiba e em tão pouco tempo ter que virar a chave para o campeonato brasileiro, agora novamente contra o Santos? “Temos que dividir o jogo em momentos distintos, iniciamos atacando, nos impondo, com chute do Ronier, gol anulado do Bruno, chute do Lavega, e o Santos não conseguindo chegar. Quando veio o gol do Santos o time não assimilou por momentos, mas continuamos acelerando o jogo, com muitas bolas longas e deixando o jogo mais vivo. Mesmo depois do segundo gol, terminamos o primeiro tempo com mais volume. No segundo tempo optamos pela entrada do Breno para termos soluções diferentes pelo lado esquerdo. O Santos baixou o bloco e se defendeu muito bem, e é uma equipe que vem se ajustando muito bem nos últimos jogos. No final tivemos uma pressão, mas nos faltou mais peso na área, mais bolas cruzadas. Lembro também que tivemos algumas adversidades durante o jogo, como a lesão do Tinga logo no começo e depois o Ronier que também saiu sentindo a coxa”.
O Coritiba vinha fazendo talvez o melhor início de jogo do campeonato, aí toma um gol e desaba, isso não preocupa? “Não acho que desabou. Vínhamos bem no jogo, mas deveríamos fazer um jogo mais elaborado, tirar um pouco a velocidade das transições, e acabamos acelerando demais o jogo. O Santos teve mérito de conseguir quebrar o ritmo. Uma vez que estávamos perdendo, não podíamos deixar de subir a pressão, então temos que tirar um aprendizado desse jogo, saber lidar com esses momentos de revés, sabendo a hora de imprimir controle para se sentir seguro e voltar a gerar perigo”.
O Coritiba não anda tomando muitos gols, alguns até evitáveis? O que fazer para estancar esse problema? E quando vai para cima propor o jogo, tem dificuldades de criação de chances claras? “Os dois gols foram as duas principais chance do Santos no jogo e teve muito mérito deles. De forma geral tivemos um bom equilíbrio defensivo, apesar dos gols, considero que evoluímos defensivamente. O Santos criou duas chances e fez dois gols. Quanto às dificuldades de criação ofensiva, o time deles defendeu com bloco baixo, principalmente depois de estar à frente no placar, mas nós poderíamos ter mais tabelas com o Breno e Pedro, que até tentaram, mas havia muita compactação na defesa deles”.
Pode explicar as substituições, por exemplo ter escolhido um zagueiro para jogar na lateral direita, tendo um jogador de ofício no banco, e quando entra o lateral, você acaba tirando o Ronier? “O Lucas Ronier saiu lesionado, sentindo o posterior da coxa. Estamos com o Fabinho em transição, o David com gripe, ambos fora do jogo. O Renato tem um histórico de centroavante e de ponta na base do América, então optamos pelo Renato. O Gustavo é um camisa 10, entrou no lugar do Vini para fazer um volante ofensivo, aí, nesse contexto, utilizamos o Taverna, que nunca tinha feito um jogo profissional a nível nacional, e num jogo eliminatório, com 38 mil pessoas, e o peso do adversário, mas entrou e deu conta. Não colocamos no começo do jogo, no lugar do Tinga porque, de repente poderia ter dificuldades e queimaríamos o menino. Temos que promover, alimentar, dar condições, mas proteger o jogador. Ele entrou num jogo decisivo, com a equipe perdendo por 2 x 0 e jogou bem, com personalidade, e adquiriu a confiança da torcida”.
Em 13 jogos no Couto Pereira esse ano, o Coritiba teve apenas três vitórias. Como voltar a buscar o protagonismo no Couto, ainda mais hoje com 36 mil torcedores e não conseguiu? “Buscamos o protagonismo hoje, assim como no primeiro tempo contra o Inter, estamos sempre atentos para fazer os apontamentos e as correções. A resposta do nosso time nesse sentido foi excepcional, então estamos buscando as respostas, nosso time é muito competitivo. Nosso desafio é continuar produzindo quando estiver vencendo. Hoje iniciamos perdendo, mas contra o Vasco também iniciamos perdendo e bucamos o empate fazendo um grande segundo tempo”.
Na sua opinião, se precisar do Taverna no domingo ele pode entrar? O quanto essa eliminação pode aumentar a pressão para o jogo do brasileiro? “Sim, ele passa a ser uma opção mais concreta, mas temos que avaliar melhor qual será a dinâmica do Santos para esse jogo. Estamos muito cientes do que é o campeonato brasileiro, enfrentamos o Inter que vinha numa crescente, quando enfrentamos o Santos na Vila eles não estavam na crescente, hoje estão, o Fluminense veio aqui e estava bem, hoje nem tanto, o próprio Vitória que também está numa crescente no campeonato, então estamos cientes do trabalho que estamos fazendo e o que precisa para evoluir. Hoje tivemos a entrada consistente do Gustavo, o Taverna, o Breno que se recuperou de uma virose, o Thiago que também está com virose, então temos que ver bem no momento com quem podemos contar, mas estamos evoluindo com vários jogadores se empenhando nos treinos, que poderão ter uma sequência e isso é muito bom”.
Pode fazer uma avaliação do seu trabalho até aqui, e que reforços o Coritiba precisa, visto que hoje com muitas baixas o time foi prejudicado? “Tivemos boas vitórias no começo do brasileiro, com muito mais inconsistências do que estamos tendo agora, o problema é que as equipes vão evoluindo, essa é uma tendência no campeonato brasileiro. O nosso time tem sido muito competitivo, temos convicção naquilo que fazemos, mas temos capacidade de aprender, flexibilidade e adaptabilidade para encontrar soluções. Quanto aos reforços, nós temos que voltar a ter disponibilidade de todos os jogadores, com as ausências por expulsão, amarelos e contusões, isso enfraquece as opções para resolver os problemas. Os principais reforços são os que já temos no elenco, porém seguimos mapeando jogadores para possíveis contratações pontuais”.
Acha que faltou raça aos jogadores, pois a torcida gritou isso em alguns momentos? E na saída do Ronier você foi criticado pela torcida, com vê isso? “Temos que ser compreensivos com a torcida, porque é um momento de frustração, temos que saber receber as críticas, porém, a torcida não sabe o que o jogador sentiu, não foi escolha minha, o jogador sentiu, mas isso acontece no futebol. Raça não faltou de jeito nenhum. O Cóser de lateral em cima do Escobar várias vezes, fazendo o corredor, imagina um zagueiro fazendo isso, o Taverna entra se matando, o Josué teve um problema nas costas, tomou uma injeção no intervalo e foi até o final, O Felipe Jhonatan contra o Inter tinha tido febre no dia anterior, o Rangel jogou gripado, então muita gente capenga dentro de campo. Temos que aceitar as críticas a respeito de tudo, menos falta de empenho, pois o comprometimento, o esforço e a taxa de trabalho são nossos valores e não renunciamos a isso”.
Em relação à engrenagem da equipe para marcar o Neymar hoje, por sinal, muito bem-marcado pelo Jacy, com viu isso? “Eles conseguiram fazer um gol numa situação de três contra seis, o Neymar percebe nosso movimento, recua e faz o movimento por dentro, e nessa hora o Bomtempo foi brilhante atravessando as costas do volante. Então o Neymar, embora pareça que queria fugir do confronto, teve uma fuga para dentro e teve muito mérito na jogada do gol do Bomtempo”.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)