
EDITORIAL
“O que abala mais dentro da nossa equipe é a impaciência da torcida. Isso é muito chato pra gente, sabendo que é a nossa torcida que está naquela situação. Precisamos de ajuda. Toda ajuda que vir da arquibancada vai ser muito boa pra gente, porque nós precisamos, acima de tudo, ter um bom rendimento este ano, pra voltar à elite do campeonato brasileiro. Então a gente precisa ter a confiança para que possa desempenhar um futebol bem melhor”. As palavras de Jackson ao jornalista Chauê Miranda (Tribuna do Paraná, 14 de março) merecem uma profunda reflexão.
Faladas no 'dia seguinte' à derrota para o J. Malucelli, parecem ser (mais) um sinal de que as coisas não vão nada bem no futebol do Coritiba. Além de não vermos e ouvirmos nem Zanchi, nem Frega, muito menos Hidalgo nas coletivas pós-jogo, nas quais apenas o treinador Estevam Soares se faz presente. Além de falar sobre tática, Estevam fala sobre a cultura de um time de 96 anos de existências, dos quais ele viveu uns vinte e poucos dias, agora é a vez de Jackson falar.
Pobre Estevam, tal qual Daniel, sozinho nas covas com os leões. Estevam fez o seu papel. Para colaborar, cremos, foi além e se deu mal. Além dele, alguém do Clube precisa falar com sua torcida sobre qual é o plano de ação para o futebol este ano. Pois pelos resultadados até aqui, o panorama é trágico.
Ano passado, quando a torcida literalmente se esgoelava incansavelmente, apoiando o time montado por Oscar Yamato e Ramirez, sob os olhares da Diretoria Executiva do Coxa, sob a coordenação auspiciosa de nomes como Antônio Lopes, Cuca e Lopes Jr (excluam-se os nomes de Cláudio Marques, que fez o que pôde, assim como Márcio Araújo, que veio tratar um time moribundo), o meia-volante-ala Jackson não abriu a boca para falar sobre a torcida do Coritiba.
Este ano, Jackson já tem mais de meia dúzia de jogos onde não mostrou o porquê vestiu a camisa do Glorioso Coritiba Foot Ball Club. Então, mais do que falar, Jackson pode fazer. Cada um na sua: torcida torce, jogador joga, treinador treina, dirigente dirige, Conselheiro aconselha. É assim, simples, como os bons esquemas táticos.
Paciência tem limite. Depois de um novo fiasco, desta vez contra o J. Malucelli, a Mancha e a Império, cansadas de tanto vexame, viraram as suas faixas, mas não pararam de gritar, apoiando o time o jogo todo. E se o jogo contra o Náutico fosse em Curitiba, não em Recife, certamente mais manifestações teriam acontecido, pois outro fiasco surgiu dentro de campo.
É natural e necessário que Jackson chame para si a responsabilidade de colaborar com os jogadores mais jovens. E diga-se de passagem, nada mais justo, já que este deve ser uma das características que pesaram na decisão pela renovação com o atleta. Mas o jogador deveria rever alguns conceitos. É verdade que uma minoria xinga sem necessidade, apupa na hora errada. Sem dúvida. Mas a manifestação da maioria da torcida, que até domingo era de apoiar, apoiar, apoiar, nunca deve ser esquecida.
A vaia não constrói, é verdade. Mas às vezes, é necessário destruir para construir de novo, algo diferente, algo melhor. Não se trata de reconstruir, pois reconstruir não necessariamente conserta tudo que tinha de errado. É construir, iniciar um novo momento, uma nova fase.
A vaia se tornou desabafo. Foi a maneira encontrada, no limite à beira do desespero que o torcedor (a maioria) teve para defender um amor maior. Foi uma atitude irracional, quase animalesca, vindo do fundo da alma e do coração. Explodiu na garganta, ecoou em coro. Foi um reflexo, como a febre, que avisa externamente que algo não vai bem internamente. É uma forma de auto-proteção, de defesa de um bem maior: o próprio Clube.
Jackson parece querer buscar a tranqüilidade para fazer o time jogar bem. É uma causa justa. É certo que a vaia não ajuda a manter a calma. Mas o desabafo serve como um alerta, uma verdade que dói tanto em quem fala, como para quem ouve. A vaia de domingo serviu para quebrar um paradigma: o torcedor cansou, quer ouvir, quer saber. Quer ter uma luz no fim do túnel.
A vaia não construiu, mas destruiu algo que precisava ser destruído: a torcida acordou de uma hibernação, um sonambulismo, de um coma induzida pela queda. Agora a torcida se levantou, pronta para levantar o Clube, nos braços, na raça.
Não foi a torcida quem contratou, escalou ou entrou em campo com ares de Ludemar, Wilton Goiano e Julinho, atletas que não acertam um mísero passe de 5 metros. Paciência tem limite, Jackson! A torcida cansou de desculpas, de desmentidos, de falta de comprometimento com a causa Alviverde. Paciência tem limite, Jackson! A torcida quer um time condizente com o amor que ela tem pelo Glorioso Verdão. A torcida perdeu a cabeça. E quem gosta dela, melhor abrir os olhos enquanto é tempo.
Se existe um culpado pelo ridículo estado das coisas no futebol Coxa-Branca, que assola de tristeza esta apaixonada torcida, este culpado nunca serão os torcedores, inclusive aqueles que vaiaram. Sejamos justos: a torcida é sábia e é ela que, quando mais o Clube precisa, estará lá para ajudar.
Estamos na Série B. Mas estaremos por pouco tempo!Subiremos, nem que seja na base da vaia da torcida. Pois a vaia de uns também serve para acordar os outros que estão ao nosso lado, muitas vezes fingindo dormir, enquanto estão acordados.
Na prática, a vaia é quase que só útil como processo de mudança depois do jogo, não durante dele. Daí, ser uma ferramenta interessante quando usada no momento e na medida adequada.
E para subir na base do apoio, nada melhor que as vitórias. Preferimos que assim seja: na base do grito Coxa eu te amo!!! Coxa eu te amo!!!. Mas para isto, boas apresentações e vitórias são necessárias.
Equipe Coxan@utas
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)