Vitória que estancou uma crise
COXAnautas relembra vitória importante do Coritiba sobre o Botafogo em 1999.
Além de espaço de recordação, também façamos do Máquina do Tempo um espaço de reflexão. Do ponto de vista imediato, aquela demissão aparentemente trouxe resultado, pois o Coritiba se recuperou na competição. Mas, com um olhar mais abrangente, tal atitude só contribuiu para fortalecer a cultura de responsabilização excessiva dos treinadores, da irresponsabilidade diretiva e da passada de mão na cabeça de jogadores mimados e irresponsáveis. Tal cultura fez o Coritiba e outras equipes do mesmo porte pagarem caro. E parece que o maior contingente da torcida não só embarca nesse tipo de atitude furada, como pressiona nesse sentido. Será que Abel Braga não era capacitado suficientemente para comandar o Verdão?
Enxergo muita semelhança com o que ocorre atualmente, quando a cada resultado negativo em jornadas nas quais os "atletas" demonstram uma apatia vergonhosa, o treinador seja o maior responsabilizado. Estou cansado de ver a mesma história se repetindo. Vocês não?
Feita a reflexão, aberta às mais variadas opiniões respeitosas, vamos à partida de 25 de setembro de 1999. O Coritiba contava com um bom time, que, unido em torno do mesmo propósito, podia fazer frente a qualquer equipe. O Botafogo, apesar de contar com bons valores, fazia péssima campanha, e acabou rebaixado ao final da competição. Tal situação foi revertida no tapetão, quando claramente tirou-se proveito da brecha conferida pela escalação de um atleta do São Paulo que tinha irregularidades em seu registro de idade (Sandro Hiroshi) para beneficiar o Botafogo. Ao invés de punir apenas o infrator (São Paulo), resolveram conferir os três pontos da partida ao clube carioca, que havia perdido por 6x1. Tal situação levou à malfadada Copa João Havelange, cuja realização serviu, entre outras coisas, para fazer o Fluminense saltar pela porta dos fundos da Série B para a Série A.
Na partida vencida pelo Verdão por 3x2, brilharam as estrelas de Cléber Arado e Sinval, que marcaram os gols da vitória sobre o time da estrela solitária. Cléber, que certamente foi o maior destaque do clube entre o final de 1997 e a metade do ano 2000, marcou o gol inaugural aos 11 minutos e não comemorou, demonstrando que havia algo de errado nos intramuros do Alto da Glória. O Botafogo conseguiu o empate com Clóvis aos 32 minutos, dando números finais à primeira etapa.
Na segunda etapa, Sinval, que viera do banco, marcou duas vezes em cobranças de penalidade. Na época, o Coritiba contava com dois exímios cobradores, justamente os artilheiros da partida. O atacante fez prevalecer a lei ex, o que já havia ocorrido no Campeonato Brasileiro do ano anterior. O zagueiro Sandro ainda descontaria para os cariocas.
Após esta vitória, o Coritiba se recuperou e só voltou a perder na última rodada, contra o Corinthians no Pacaembu, clube que seria o campeão naquele ano. O Verdão manteve as chances de classificação para a fase final da competição até a penúltima rodada do campeonato, quando empatou por 1x1 com o Juventude no Couto Pereira.
[t]Ficha Técnica
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Coritiba 3x2 Botafogo - 25 de setembro de 1999
Estádio Major Antônio Couto Pereira
Coritiba: Gilberto, Reginaldo Araújo, Leonardo, Flávio e Dutra; Ataliba, Mozart (Betinho), Darci e João Santos (Reginaldo Nascimento); Luiz Carlos Matos e Cléber (Sinval). Técnico: Márcio Araújo.
Botafogo: Wagner, Russo, Jorge Luiz, Sandro e Clóvis; Marcelinho Paulista, Reidner, Rodrigo Beckham (Felipe Tigrão) e Sérgio Manoel (Leandro Augusto); Valdir Bigode e Zé Carlos (Darci). Técnico: Antônio Clemente.
Gols: Cléber (CFC) 11/1, Clóvis (BOT) 32/1, Sinval (CFC) 26/2 e 36/2 e Sandro (BOT) 37/2.
Público pagante: 12.678 pessoas.
Árbitro: Antônio Pereira da Silva.
