COXAnautas - Coritiba Eternamente

03/04, 18h57 | Bola de Couro | Felipe Rauen

Ultrapassados.

Ontem, assistindo ao jogo entre o Athletico e o Boca Júniors, o que fiz tanto por curiosidade como para tentar “secar” o nosso rival, a certa altura da partida bateu-me um sentimento de depressão.

Senti naquele momento o que aos poucos vem me amargurando e o que certamente grande parte da torcida vem sentindo há algum tempo. A verdade é que não somos mais o maior clube de futebol do Paraná. Fomos no século passado, mas este século está sendo do rival. E pior, nem nos mantivemos no mesmo lugar, mas estamos caindo aos poucos. Dói dizer isso, mas os fatos não permitem afirmar de modo diferente.

Sei que talvez alguns atirarão pedras em mim, mas não podemos mais nos manter passivos como se as nossas glórias do passado cada vez mais remoto ainda estivessem presentes. A nossa história de quase 110 anos é inapagável, temos que cultuá-la e honrá-la, mas, gostem ou não alguns, a verdade é que aos poucos fomos sendo ultrapassados pelo rival e no atual quadro de distância qualquer revolução, refundação ou reestruturação do Coritiba só poderá nos igualar a ele depois de alguns – talvez muitos - anos de ações bem diferentes das que de modo conservador ou às vezes irresponsável têm sido praticadas.

Temos que reconstruir ou refundar o nosso clube sem medo de ousar, mudando o modo de administrar e sem ações deletérias entre os homens que podem fazer algo de positivo. Uma grande concertação deveria acontecer entre tantos nomes capazes de grandes coritibanos, de modo a fazer essa revolução ou refundação. A nos mantermos nos passos que temos dado nos últimos anos, a cada dia a distância que nos separa do rival ficará maior e a gangorra nos manterá na parte de baixo.

O estatuto tem que ser modernizado para o clube ser gerido de modo eficaz, sem grandes e inoperantes conselhos, sem adoção de políticas de gestão, mas sim de clube – refiro-me a manter estratégias bem-sucedidas independente da composição da direção que se suceder – e o comando do clube não pode ser alcançado com a participação decisiva, nas eleições, das torcidas organizadas que deveriam quando muito se limitar às arquibancadas. Não se trata de não deixar democrática a eleição, claro que todos os associados podem e devem votar, mas se trata de afastar que as torcidas organizadas atuem como instituição, fechando questão em torno de determinado candidato, o que ocorreu nas duas últimas eleições e o custo disso estamos pagando.

Eu temo muito que com a minha idade não consiga viver o suficiente para ver o Coritiba novamente grande e respeitado. Ser grande e respeitado não se limita a voltar para a primeira divisão e nela permanecer ou ganhar a maioria das desvalorizadas competições estaduais. Significa deixar de ser coadjuvante, quando não mero figurante dos grandes campeonatos, e ter protagonismo. Buscar títulos, se impor como instituição sem passar por depreciação como vimos quando da contratação da TV, sair das fronteiras do Estado, renovar ou reconstruir o estádio (Em 2015 se falou nisso, mas na ocasião muitos se opuseram dizendo que era mais importante ter um bom time. Pois não temos nem um e nem outro), enfim, administrar o clube com um modo visionário/responsável.

Se isso não acontecer logo, se as ações no Coritiba continuarem limitadas ao pensamento pequeno desse grupo de jovens que assumiu a direção e que agem como os jurássicos que já passaram por ela, se parte da torcida continuar se iludir e se satisfazer com o passado ou com a ideia de que só voltar à primeira divisão será uma redenção suficiente, se nomes de peso não se articularem em uma concertação em benefício do Coritiba, e só do Coritiba, é triste dizer, mas continuaremos sendo o segundo clube de futebol do Paraná.

Fico triste ao escrever essas linhas, mas é o desabafo de alguém que assistiu ao primeiro jogo do Coritiba em 1955 e que se recorda da escalação de 1957, que quando pré-adolescente por não ter dinheiro uma vez “furou” e não pagou ingresso para ver um jogo, que frequentou todos os cantos do estádio, que chegou a viajar doze horas de carro para ver um jogo, que se mantém associado ainda que raras vezes possa ir ao estádio, e que mesmo fisicamente distante cultua e defende o clube. Não imaginava que um dia estaria vendo o Coritiba tão apequenado e sem perspectivas.

Perdoem o tom de depressão deste texto, Claro que jamais abandonarei o meu amor pelo Coritiba pois, como me disse ontem o meu filho Alexandre ao me ver deprimido, o que importa é o amor envolvido e a paixão que existe e não diminui mesmo nos piores momentos.

Debate

  • "Desculpem. O computador duplicou o texto."

    C. A. de Castro | 07/04, 17h47 | Móvel

    • "triplicou"

      Danielle T. | 07/04, 19h40

  • "Prezado Henrique J.
    Sou C A Castro, muito prazer em conhecê-lo. Somos da mesma nação alviverde e irmãos em sofrimento.
    Quanto a sua pergunta, muito oportuna, sobre sugestões além de esperar as eleições eu digo.
    Esperar as eleições é um fato consumado. Desde que com atitudes de autodefesa o Sr. VRA, (que pensou só em si no momento do discurso quando, o possível impeachment do atual mandatário era debatido, pois sem sua interferência , uma possível auditoria externa poderia criar uma situação onde, o primeiro a sofrer as consequências seria ele mesmo). Este senhor tirou a possibilidade de ações mais contundentes de nossa parte. Muito esperto o cartola passou por conciliador. Então só nos resta esperar as eleições e rezar que cheguemos vivos até lá.
    Como é natural, somos um grupo muito heterogêneo. A diferença de idades, caráter, vivência e toda gama de personalidades, (exaltadas, tímidas, passivas, servis, cínicas e enfurecidas), são abrandadas pelo amor ao Coritiba. Até chegar ao momento onde a Instituição passe a valer mais do que um mero time, vai levar muito tempo. Hoje o pensamento geral é, melhorar o time para salvar a Instituição. Isto é impossível.
    Primeiro temos que ter uma Consciência Clubista, escolhendo presidentes com responsabilidade e profundo senso administrativo, (de passado e conduta ilibada), que tenha presença respeitável para olhar de frente com altivez os mandatários rivais de qualquer lugar, que tenha palavra de homem correto e não vacile nem se esconda nos momentos difíceis. Finalmente, que seja por suas atitudes construtivas através de bons negócios, e também com desenvolvimento do patrimônio, “um verdadeiro líder”. Assim, poderá ser desta forma reconhecido e venerado pelos torcedores. Utopia? Não! um Ideal.
    Henrique .
    Aceite meu respeito e um abraço fraternal.
    C A de Castro."

    C. A. de Castro | 07/04, 15h23 | Móvel

    • "Sim C.A. Castro, ainda há esperanças!!"

      Henrique J. | 07/04, 18h55

  • "Prezado Henrique J.
    Sou C A Castro, muito prazer em conhecê-lo. Somos da mesma nação alviverde e irmãos em sofrimento.
    Quanto a sua pergunta, muito oportuna, sobre sugestões além de esperar as eleições eu digo.
    Esperar as eleições é um fato consumado. Desde que com atitudes de autodefesa o Sr. VRA, (que pensou só em si no momento do discurso quando, o possível impeachment do atual mandatário era debatido, pois sem sua interferência , uma possível auditoria externa poderia criar uma situação onde, o primeiro a sofrer as consequências seria ele mesmo). Este senhor tirou a possibilidade de ações mais contundentes de nossa parte. Muito esperto o cartola passou por conciliador. Então só nos resta esperar as eleições e rezar que cheguemos vivos até lá.
    Como é natural, somos um grupo muito heterogêneo. A diferença de idades, caráter, vivência e toda gama de personalidades, (exaltadas, tímidas, passivas, servis, cínicas e enfurecidas), são abrandadas pelo amor ao Coritiba. Até chegar ao momento onde a Instituição passe a valer mais do que um mero time, vai levar muito tempo. Hoje o pensamento geral é, melhorar o time para salvar a Instituição. Isto é impossível.
    Primeiro temos que ter uma Consciência Clubista, escolhendo presidentes com responsabilidade e profundo senso administrativo, (de passado e conduta ilibada), que tenha presença respeitável para olhar de frente com altivez os mandatários rivais de qualquer lugar, que tenha palavra de homem correto e não vacile nem se esconda nos momentos difíceis. Finalmente, que seja por suas atitudes construtivas através de bons negócios, e também com desenvolvimento do patrimônio, “um verdadeiro líder”. Assim, poderá ser desta forma reconhecido e venerado pelos torcedores. Utopia? Não! um Ideal.
    Henrique .
    Aceite meu respeito e um abraço fraternal.
    C A de Castro."

    C. A. de Castro | 07/04, 15h22 | Móvel

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Equipe COXAnautas

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O Blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.

O Autor

Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro". Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Desde fevereiro de 2.009 é Cônsul do Coritiba em Porto Alegre. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

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